Conhecida por fortalecer o sistema imunológico, a vitamina C pode também ter papel na saúde do cérebro. Cientistas da Universidade de Hirosaki, no Japão, identificaram que idosos com níveis mais elevados da vitamina C no sangue apresentavam maior volume de massa cinzenta, em comparação com participantes com concentrações menores.
Os resultados, publicados em 10 de junho na revista PLOS One, apontam apenas uma associação entre os níveis de vitamina C e características cerebrais, sem estabelecer que o consumo maior da vitamina proteja o cérebro ou reduza o risco de doenças neurológicas.
A mediana de idade dos voluntários foi de 69 anos, e 61% eram mulheres. Cada participante realizou ressonância magnética cerebral e exame de sangue para medir a vitamina C no plasma.
Os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos conforme o nível da vitamina, levando em conta fatores como idade, sexo, escolaridade, desempenho cognitivo, diabetes, hipertensão, colesterol alto, tabagismo, consumo de álcool e prática de atividade física.
A comparação revelou que indivíduos com níveis mais altos apresentavam maior volume de massa cinzenta, região envolvida em memória, linguagem, raciocínio e tomada de decisões. Também houve associação entre níveis elevados de vitamina C e preservação da chamada rede de modo padrão, relacionada à memória e ao planejamento.
Os autores sugerem que a ação antioxidante da vitamina C pode contribuir para os achados, ao combater radicais livres e reduzir danos às células nervosas com o envelhecimento. Além disso, a vitamina participa da produção de neurotransmissores, moléculas-chave para a comunicação entre neurônios.
Como o organismo humano não sintetiza vitamina C, a substância deve ser obtida pela alimentação, com fontes como frutas cítricas, acerola, goiaba, kiwi, morango, tomate, brócolis e pimentão.
Por fim, a pesquisa apresenta limitações: os participantes foram avaliados apenas uma vez, o que dificulta inferir causalidade ou excluir a influência de outros fatores. Os autores defendem que estudos longitudinais, acompanhando os voluntários ao longo dos anos, são necessários para esclarecer se manter níveis adequados de vitamina C pode contribuir para a preservação da estrutura e do funcionamento do cérebro durante o envelhecimento.
Fonte: Metrópoles Saúde
