O uso prolongado de melatonina pode estar associado ao aumento do risco de insuficiência cardíaca, segundo um informe técnico divulgado pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo com base em estudo apresentado pela American Heart Association.
Popularizada como alternativa para melhorar o sono, a melatonina passou a ser alvo de alerta após pesquisadores identificarem possíveis impactos cardiovasculares relacionados ao uso contínuo da substância. O estudo acompanhou cerca de 130 mil adultos por cinco anos e apontou aumento significativo nos diagnósticos de insuficiência cardíaca entre usuários de longo prazo.
Segundo os dados citados no relatório, pessoas que utilizaram melatonina por pelo menos um ano apresentaram risco até 3,5 vezes maior de desenvolver insuficiência cardíaca. O grupo também registrou aumento nas hospitalizações e maior risco de mortalidade por outras doenças.
Apesar disso, os próprios pesquisadores alertam que o estudo possui limitações importantes e ainda não comprova relação direta de causa e efeito. A pesquisa ainda não passou por revisão por pares e contrasta com trabalhos anteriores que apontavam possíveis benefícios cardiovasculares da melatonina.
O informe do CRF-SP também destaca que existe percepção equivocada de que a melatonina seria completamente inofensiva por ser considerada um suplemento “natural”. O órgão alerta para riscos de automedicação, interações medicamentosas, consumo excessivo e agravamento de comorbidades.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária permite desde 2021 o uso de melatonina em suplementos alimentares para adultos, com limite diário de 0,21 mg. O consumo é contraindicado para crianças, gestantes, lactantes e trabalhadores que necessitam de atenção contínua.
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal em resposta à escuridão e atua na regulação do sono e do ritmo biológico do organismo.
Fonte: CNN Brasil
