O mundo vive um boom pela busca de uma vida mais saudável e, consequentemente, pela prática de atividades físicas. Os benefícios dos exercícios são amplamente reconhecidos, especialmente na prevenção de doenças, mas a prática intensiva pode trazer contratempos ao organismo.
Em entrevista à CNN Brasil, o ortopedista Plínio Linhares explicou que, nesses casos, o vilão costuma ser o excesso: esforço exagerado, aumento brusco da intensidade ou falta de preparo podem gerar lesões musculares nos praticantes.
Esforço excessivo, aumento da intensidade ou falta de preparo podem levar a lesões musculares entre os praticantes. “As lesões mais comuns são os estiramentos musculares, que ocorrem quando as fibras são submetidas a uma tensão maior do que conseguem suportar. Elas podem variar desde pequenas lesões até rupturas completas, com perda de força e necessidade de tratamento prolongado”, afirmou Linhares, que também atua como cirurgião da coluna na Hap Vida (operadora de planos de saúde).
Segundo ele, os músculos mais afetados são os posteriores da coxa, a panturrilha, o quadríceps e a região da virilha, principalmente em atividades que envolvem corridas rápidas e saltos, como futebol, corrida e esportes de quadra. Além dos estiramentos, podem ocorrer rupturas de tendões, lesões ligamentares e fraturas por estresse, dependendo da modalidade praticada.
O que diz a ciência?
O estudo brasileiro intitulado “Incidence of musculoskeletal injuries in professional soccer players in Brazil”, que analisou 11 pesquisas realizadas entre 2010 e 2019, aponta que o excesso de treino, jogos consecutivos, pouco tempo de descanso e recuperação inadequada de lesões anteriores são fatores de risco para o aumento da incidência de lesões musculoesqueléticas. A coxa foi a região mais acometida, com contusões representando 26% dos casos, entorses 20% e estiramentos 59%.
A dor é um sinal de alerta. Mesmo em atividades simples na academia, o ortopedista ressalta que o principal indicativo é a dor persistente, que pode aumentar com o tempo ou limitar movimentos. “Nas lesões musculares, é comum surgir dor localizada durante o esforço, muitas vezes com sensação de fisgada, perda de força ou dificuldade para continuar a atividade”, disse Linhares. Em casos de dor súbita e intensa, acompanhada de estalo, perda considerável de força, deformidade ou incapacidade de continuar, exige avaliação médica imediata.
Entre outros sinais que merecem atenção estão: perda de força muscular, inchaço ou hematomas, rigidez que limita a amplitude de movimento, dor que não melhora com repouso e instabilidade ou inchaço articular, que podem indicar lesões em ligamentos ou articulações.
Quais cuidados tomar?
Para prevenir lesões, o ortopedista recomenda preparo físico adequado, fortalecimento muscular, planejamento dos treinos e recuperação. Entre as medidas sugeridas estão: aumentar a intensidade gradualmente, evitando mudanças bruscas de carga, velocidade, distância ou frequência. Permitir tempo de adaptação do músculo aos novos estímulos. Investir no fortalecimento muscular. Realizar treinamentos de força conforme a modalidade. Respeitar períodos de recuperação. Aquecer antes das atividades e executar os exercícios com técnica correta. Manter alimentação, hidratação e sono adequados. E ficar atento a sinais do corpo: dores persistentes, perda de força e fadiga excessiva devem levar a ajustes no treinamento ou avaliação profissional.
Atenção especial é necessária na terceira idade, pois o envelhecimento reduz massa muscular, força e capacidade de recuperação. “Uma das principais preocupações é a sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de força muscular, geralmente associada à diminuição da massa e da qualidade dos músculos”, explica Linhares. A idade pode exigir acompanhamento adequado, mas não inviabiliza a prática de atividades físicas. “O movimento bem orientado não é um risco a evitar, mas um investimento na saúde que devemos preservar ao longo de toda a vida”, finaliza o médico.
Fonte: CNN Brasil Saúde
