Segurar o espirro faz mal? Mulher de 45 anos descobre ar dentro do crânio

Segurar um espirro para não chamar atenção em público pode parecer um gesto inofensivo. Uma mulher de 45 anos, na Arábia Saudita, mantinha esse hábito. Até que exames revelaram ar acumulado dentro do crânio e uma abertura de dois milímetros no osso que separa o nariz do cérebro, causando vazamento de líquor. Por isso foi necessária cirurgia após tentativas de tratamento.

A tomografia mostrou pneumoencéfalo e a abertura no osso entre a cavidade nasal e o cérebro. Parte do líquor escapava pelo nariz. A presença de desvio do septo nasal e de aumento das estruturas internas do nariz também foi observada, fatores que podem dificultar a passagem de ar.

Inicialmente, os médicos optaram pelo acompanhamento clínico, com orientações para evitar esforços que aumentassem a pressão intracraniana e para procurar atendimento caso surgissem novos sintomas. Nas seis semanas seguintes, o líquor voltou a escorrer em duas ocasiões, e a paciente admitiu ter prendido espirros em encontros sociais, contrariando as recomendações.

Diante da persistência, a cirurgia foi indicada cerca de oito semanas após a primeira consulta. Durante o procedimento, os médicos confirmaram o vazamento e ergueram o tecido cerebral/menínico que protrudia pela abertura óssea. O local foi fechado com tecido retirado do próprio nariz, o desvio do septo foi corrigido e estruturas nasais aumentadas foram reduzidas. Segundo os médicos, as correções podem facilitar a passagem do ar e reduzir a pressão durante os espirros, ainda que esse benefício não esteja comprovado.

A recuperação foi boa. Ao longo de 12 meses de acompanhamento, a paciente permaneceu sem sintomas e sem novos vazamentos, recebendo orientação para não prender mais espirros.

Segurar o espirro pode realmente fazer mal, principalmente quando a pessoa fecha a boca e aperta o nariz para impedir a saída do ar. A pressão nas vias respiratórias pode aumentar e, em casos raros, provocar lesões. Uma revisão de 2019 reuniu 52 relatos de lesões relacionadas a espirros, incluindo danos nos ouvidos, no pescoço e em outras regiões. Em 2023, outro caso descreveu uma mulher de 72 anos que desenvolveu pneumoencéfalo após a supressão de espirros e também precisou de cirurgia.

Esses relatos mostram que complicações são possíveis, mas raras e baseadas em casos isolados. Para evitar disseminar gotículas, o Ministério da Saúde recomenda cobrir o nariz e a boca com um lenço descartável ou com a parte interna do cotovelo e higienizar as mãos após.

A saída de líquido transparente por apenas uma narina, especialmente ao inclinar a cabeça, exige avaliação médica, sobretudo se houver dor de cabeça que muda com a posição. Febre, rigidez na nuca ou confusão mental requerem atendimento urgente.

Embora raro, segurar o espirro deve ser evitado. O melhor é deixá-lo sair naturalmente, sem bloquear o nariz e a boca.

Fonte: Terra Saúde

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