Consumir vegetais e proteínas antes dos carboidratos reduz a elevação da glicose no sangue de pessoas com diabetes tipo 2 e pode retardar a absorção de nutrientes pelo organismo.
A estratégia consiste em iniciar a refeição pela salada e pelas carnes, ovos ou frango, deixando arroz ou massas para o final. Essa ordem ajuda a controlar os níveis glicêmicos, embora não substitua o acompanhamento médico nem a quantidade adequada de cada porção.
Estudos científicos e diretrizes de órgãos de saúde apontam que organizar o prato por etapas interfere na forma como o corpo absorve a glicose.
Segundo o endocrinologista Igor Trotte, a presença de fibras, proteínas e gorduras boas na primeira parte da refeição desacelera o esvaziamento gástrico.
o especialista explica que o estômago não entrega toda a refeição ao intestino de uma vez. A presença de gorduras e proteínas estimula sinais hormonais, incluindo o GLP-1, que podem tornar essa passagem mais lenta. Com isso, o carboidrato chega ao intestino de forma gradual, suavizando os picos de açúcar no sangue.
Para colocar o método em prática sem complicação, a nutricionista clínica Thainara Gottardi sugere uma divisão clara dos alimentos.
Na prática, o prato deve ser montado com saladas, folhas e legumes crus ou cozidos na primeira etapa, seguidos pelas fontes proteicas como carnes, peixes ou ovos, e encerrado com os carboidratos, como arroz, batata ou massas. Além de auxiliar no controle da glicemia pós-prandial — índice de açúcar no sangue logo após a refeição —, essa organização traz vantagens adicionais para o comportamento alimentar. O consumo prévio de fibras e proteínas estimula hormônios da saciedade, ajudando a reduzir a fome excessiva e o desejo por doces logo após comer, já que a resposta glicêmica permanece mais estável.
Apesar dos benefícios para o controle imediato da glicose, os especialistas ressaltam que mudar a ordem dos alimentos não é uma solução mágica. O endocrinologista Igor Trotte observa que as pesquisas disponíveis ainda são de pequeno porte e não comprovam que a alteração isolada previna complicações de longo prazo ou reduza doses de medicamentos e insulina sem avaliação médica.
Para quem faz uso de insulina, a alteração exige cautela na contagem de carboidratos e no momento da aplicação para evitar hipoglicemias. Pacientes com gastroparesia, refluxo grave ou doenças inflamatórias intestinais precisam de orientação individualizada quanto à textura e à sequência dos alimentos.
Por fim, a técnica deve funcionar como uma ferramenta complementar a um estilo de vida saudável, que inclui a prática regular de atividades físicas, a escolha de alimentos pouco processados e a atenção à quantidade total de carboidratos consumidos ao longo do dia.
Fonte: Metrópoles Saúde
