A necropsia de fisiculturistas que morreram após o uso de anabolizantes revela alterações cardíacas graves, sugerindo uma ligação entre o consumo dessas substâncias e o risco de morte súbita. Dallas McCarver, de 26 anos, foi um caso emblemático. O coração dele pesava 833 g, mais que o dobro do peso esperado, com espessamento do ventrículo esquerdo e acúmulo de placas de gordura nas artérias.
A testosterona sintética encontrada no corpo dele estava mais de 30 vezes acima do normal, e a médica legista concluiu que o abuso prolongado de esteroides contribuiu para o óbito. Nos meses seguintes, outros casos, como os de Mailson Araújo, 35 anos; Gabriel Ganley, 22 anos; Edson da Silva Ferreira, 40 anos; e Wanderson da Silva Moreira, 30 anos, chamaram atenção.
Um estudo publicado no European Heart Journal acompanhou mais de 20 mil fisiculturistas durante 16 anos e apontou uma taxa de morte súbita cinco vezes maior entre profissionais. Entre os competidores do Mr. Olympia, são sete mortes a cada cem atletas, com idade média de 36 anos. Dois tipos de aumento do coração são descritos: o fisiológico, que tende a regredir após a interrupção dos treinos, e o induzido por esteroides, que pode levar à dilatação e à insuficiência cardíaca irreversível.
Estudos publicados no Circulation e na Frontiers in Cardiovascular Medicine, além de pesquisas dinamarquesas, indicam riscos elevados para usuários de esteroides. A proibição da prescrição de esteroides para fins estéticos no Brasil, desde 2023, não conseguiu frear o mercado.
Especialistas destacam a necessidade de ampliar a conscientização sobre os riscos cardíacos entre atletas de alto nível.
