Médicos alertam sobre o risco de cigarros eletrônicos para crianças e jovens

O Royal College of Paediatrics and Child Health (RCPCH) analisou cerca de 81 estudos sobre cigarros eletrônicos e concluiu que o uso está associado a taxas mais altas de problemas respiratórios, além de evidências de danos em bebês cujas mães usaram o produto durante a gestação.

A revisão, publicada na revista científica Archives of Disease in Childhood, alerta que os cigarros eletrônicos não devem ser considerados “parte inofensiva” da vida dos jovens.

O RCPCH pediu ao governo do Reino Unido que avance nas propostas de impor novas restrições à venda desses dispositivos e sugere limitar o número de sabores disponíveis.

Especialistas da faculdade apontaram que o uso está ligado a chiado no peito, tosse, saúde bucal precária, sono de má qualidade, problemas de saúde mental e sintomas oculares.

Will Carroll, coautor da revisão sistemática, destacou “ligações claras” entre sintomas respiratórios, dependência de nicotina e tabagismo, e afirmou que é preciso agir para tornar o uso menos atraente e acessível às crianças.

Mike Mc Kean, vice‑presidente de políticas do RCPCH, ressaltou que o vaping ainda é um produto relativamente novo, que há muito a desconhecer sobre seu impacto a longo prazo em crianças e jovens, e que é essencial acompanhar a rápida evolução do mercado para proteger os menores.

Em julho, o governo britânico lançou uma consulta pública de 12 semanas sobre a aparência, embalagem e exposição dos cigarros eletrônicos, com o objetivo de reduzir o apelo desses produtos para crianças. Entre as propostas, as embalagens deveriam ser neutras, com limites rigorosos para a marca e descrições simples de sabor, como “maçã” ou “cola”.

Outras medidas previstas incluem a retirada dos dispositivos da vista do público nas lojas, de forma semelhante à comercialização de cigarros e tabaco, e a proibição vitalícia de compra por crianças e jovens de até 17 anos, tornando ilegal a venda a qualquer pessoa nascida após um de janeiro de 2009.

Mc Kean considerou a nova lei “um passo importante para proteger as crianças do vício em nicotina”, mas alertou que não é uma solução definitiva. Carroll acrescentou que o governo precisa “ir além e limitar os tipos de sabores disponíveis, em vez de apenas trazer suas descrições” nas embalagens.

Segundo pesquisa da Action on Smoking and Health (ASH), quase um em cada cinco jovens de 11 a 17 anos no Reino Unido já experimentou o cigarro eletrônico. Hazel Cheeseman, diretora executiva da ASH, afirmou que, embora menos prejudiciais que o tabaco, os dispositivos não são isentos de riscos e que um controle rigoroso de marketing será fundamental para reduzir seu uso entre os jovens.

Andrew Mc Cracken, da Asthma + Lung UK, destacou que os cigarros eletrônicos podem ajudar fumantes a parar, mas que não devem ser usados por quem não fuma, especialmente crianças. O Departamento de Saúde e Assistência Social reforçou que “crianças nunca deveriam usar cigarros eletrônicos” e que as evidências apontam diversos riscos associados.

Um porta‑voz informou que já foram proibidos os cigarros eletrônicos descartáveis e que a publicidade e o patrocínio serão vetados a partir do próximo ano, além de consultas sobre embalagens que atraiam crianças.

Fonte: BBC News Brasil

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