As mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool voltaram a crescer no Brasil, apesar da queda acumulada desde a criação da Lei Seca. Em 2024, o país registrou 13.075 óbitos associados à combinação entre bebida alcoólica e direção, alta de 6,2% em relação ao ano anterior.
Os dados fazem parte de uma análise do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), divulgada às vésperas do Dia Nacional da Lei Seca, celebrado em 19 de junho.
Entre 2010 e 2024, a taxa de mortes atribuíveis ao álcool no trânsito caiu 19,5% no país. Mesmo assim, especialistas alertam que a trajetória de redução perdeu força nos últimos anos.
O levantamento também aponta aumento nas internações ligadas a esse tipo de ocorrência. Em 2025, foram registradas 102.440 hospitalizações associadas a acidentes envolvendo álcool, alta de 1,9% em relação ao ano anterior.
Os homens seguem como as principais vítimas. Segundo o CISA, eles representam 86,7% das mortes atribuíveis ao álcool no trânsito e 81,8% das internações relacionadas a esses acidentes.
Para especialistas, a Lei Seca teve papel importante na redução das mortes ao longo dos últimos anos, mas precisa ser acompanhada de fiscalização mais intensa, campanhas de prevenção e políticas voltadas aos grupos mais expostos ao risco.
O aumento da frota de motocicletas também é apontado como um dos desafios para a segurança viária. Dados citados no levantamento indicam que motociclistas representam parcela significativa das mortes no trânsito no país.
A análise mostra ainda diferenças importantes entre os estados. Ao todo, 18 unidades da federação apresentaram taxas de mortes atribuíveis ao álcool acima da média nacional.
Segundo o CISA, os resultados reforçam que leis rigorosas continuam sendo importantes, mas não são suficientes quando aplicadas de forma isolada. A redução sustentada das mortes depende de fiscalização frequente, uso estratégico do bafômetro e ações permanentes de prevenção.
Fonte: G1
