Médicos confundem larvas no cérebro com tumor em paciente espanhol

Médicos que atenderam um homem de 60 anos em Vila‑Real, na Espanha, inicialmente suspeitaram de metástases cerebrais após exames revelarem múltiplas lesões acompanhadas de edema. A hipótese de câncer de outro órgão motivou a busca por um tumor primário.

A equipe solicitou tomografia computadorizada de corpo inteiro, colonoscopia e PET/CT, mas nenhum dos exames identificou sinais de neoplasia. Diante da ausência de tumor, os especialistas aprofundaram a investigação com ressonância magnética, que mostrou dezenas de lesões distribuídas pelos dois hemisférios cerebrais.

Algumas das lesões apresentavam um pequeno nódulo interno compatível com o escólex, estrutura que corresponde à cabeça da larva da Taenia solium, levantando a suspeita de neurocisticercose. Para confirmar o diagnóstico, amostras foram enviadas ao Centro Nacional de Microbiologia do Instituto de Saúde Carlos III, em Madri.

O teste identificou anticorpos contra Taenia solium, confirmando a infecção parasitária. O paciente recebeu tratamento com os antiparasitários albendazol e praziquantel, além de dexametasona para controlar a inflamação provocada pela morte das larvas. Segundo os autores, a evolução clínica foi favorável e não houve complicações durante o tratamento.

Um aspecto incomum do caso foi a ausência de viagens a áreas endêmicas. Exames de fezes do paciente e de seus familiares não detectaram ovos do parasita. Ao analisar o histórico, os pesquisadores levantaram a hipótese de que a infecção poderia ter ocorrido há muitos anos, quando o homem trabalhava na construção civil e compartilhava refeitórios e banheiros com colegas vindos de países onde a Taenia solium é mais frequente. Essa suposição, porém, não foi confirmada.

O relato enfatiza que a neurocisticercose deve ser considerada entre as possíveis causas de múltiplas lesões cerebrais, mesmo em pacientes sem histórico de exposição a regiões endêmicas. Reconhecer as características típicas da doença nos exames pode evitar diagnósticos equivocados e permitir o início do tratamento adequado.

A teníase, infecção intestinal causada pela tênia adulta, é adquirida ao consumir carne de porco ou boi crua ou malcozida contendo larvas. Já a neurocisticercose ocorre quando a pessoa ingere ovos da Taenia solium, presentes em água, alimentos ou mãos contaminadas por fezes humanas de alguém com teníase. As larvas podem migrar para o cérebro, formando cistos que provocam dor de cabeça, convulsões e alterações neurológicas.

A prevenção inclui lavar bem as mãos, higienizar frutas e verduras, consumir água tratada, cozinhar adequadamente as carnes e identificar e tratar pessoas com teníase para interromper a transmissão do parasita.

Fonte: Metrópoles Saúde

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