A pressão arterial sistólica foi responsável por 220.160 mortes no Brasil em 2023.
Os números provêm de um artigo da Estatística Cardiovascular de 2026, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que utilizou os dados do Global Burden of Diseases de 2023. Nessa análise, a taxa de mortalidade atribuível padronizada por idade recuou 52,9%, atingindo 85 óbitos por 100 mil habitantes.
A Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, que incluiu aferição direta da pressão arterial, identificou hipertensão em 32,3% dos adultos. Entre os que faziam uso de medicação anti‑hipertensiva, apenas 54,4% apresentavam pressão controlada.
A condição ainda gera forte impacto econômico ao Sus. Em 2018, a hipertensão representou 59% dos R$ 3,45 bilhões em custos atribuíveis a hipertensão, diabetes e obesidade.
O Vigitel de 2025 mostrou que a prevalência da hipertensão arterial subiu de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, atingindo quase um terço da população adulta.
Com o envelhecimento da população, a hipertensão ganha ainda mais relevância. O cardiologista Dr. Vagner Ferreira, do Hospital Mantevida, explicou que, com a idade, as artérias perdem parte da elasticidade e ficam mais rígidas, o que eleva a pressão sistólica.
Ele ressaltou que a hipertensão costuma ser assintomática, permitindo que o organismo conviva com níveis elevados de pressão por anos, enquanto vasos sanguíneos, coração, cérebro e rins sofrem danos progressivos. Por isso, muitos só descobrem a doença após um AVC ou infarto, o que evidencia a importância da prevenção.
Segundo o especialista, a principal barreira ao diagnóstico precoce é a própria natureza silenciosa da doença. Muitas pessoas acreditam que, se não sentem nada, a pressão está normal, e só procuram atendimento quando surgem sintomas ou quando precisam tratar outro problema de saúde. Na população idosa, ainda se somam dificuldades de acesso aos serviços de saúde, realização de consultas regulares e, em alguns casos, mobilidade reduzida.
A periodicidade da aferição depende dos níveis de pressão, dos fatores de risco, do histórico clínico e da existência ou não de hipertensão diagnosticada. Para quem tem pressão normal e não apresenta fatores de risco importantes, a medição periódica nas consultas pode ser suficiente. Já para quem apresenta pré‑hipertensão, valores elevados ou está em tratamento, pode ser necessário medir a pressão com maior frequência, inclusive em casa.
O médico recomenda, como medida preventiva, a redução do consumo de sal, especialmente em alimentos ultraprocessados, embutidos, temperos prontos e refeições industrializadas, além de priorizar frutas, verduras, legumes, feijão e outros alimentos naturais, controlar o peso e praticar atividade física regularmente. Também destaca a importância de evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool e garantir boa qualidade do sono. Para pessoas acima de 60 anos, as orientações devem ser individualizadas, considerando capacidade física, equilíbrio, presença de outras doenças e medicamentos em uso.
A classificação da pressão arterial de risco no Brasil foi atualizada: a pré‑hipertensão agora abrange valores entre 12/8 e 13,9/8,9 mm Hg. Essa mudança visa identificar precocemente quem tem maior risco de desenvolver hipertensão e complicações cardiovasculares, permitindo intervenções de estilo de vida antes da necessidade de medicação.
Fonte: CNN Brasil Saúde
