Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas pessoas relatam aumento da tristeza, da falta de energia e dificuldade para manter a rotina. Especialistas alertam que o frio pode favorecer o surgimento ou a piora de sintomas de depressão, sobretudo em indivíduos mais vulneráveis, envolvendo fatores biológicos e comportamentais.
Os dias mais curtos reduzem a exposição à luz solar, essencial para a regulação de neurotransmissores ligados ao bem‑estar, enquanto o clima frio estimula o isolamento social, o sedentarismo e a permanência em ambientes fechados. Juntos, esses fatores podem impactar significativamente a saúde mental.
A luz solar participa da regulação da serotonina, neurotransmissor relacionado à sensação de bem‑estar, e da melatonina, hormônio responsável pelo sono. Segundo a psiquiatra Renata Verna, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, a menor exposição à luz natural pode provocar mudanças importantes no organismo. “A diminuição da luminosidade pode interferir diretamente nos mecanismos que regulam o humor, a disposição e o ciclo do sono, favorecendo sintomas como fadiga, desânimo e perda de motivação”, afirma. Em algumas pessoas, essas alterações podem ser mais intensas e levar ao desenvolvimento do Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), forma de depressão relacionada às mudanças de estação.
Nem todo desânimo durante os dias frios indica depressão. Especialistas destacam que alguns sinais merecem atenção, principalmente quando persistem por mais de duas semanas. Entre os sintomas de alerta estão: perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações do sono, mudanças no apetite, dificuldade de concentração, isolamento social e sentimentos frequentes de desesperança. Para o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da plataforma Doctoralia, o impacto emocional do inverno não deve ser subestimado.
Ele ressalta que, quando a tristeza compromete a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida, é importante procurar ajuda especializada para avaliar a presença de um quadro depressivo. Idosos, pessoas que vivem sozinhas, indivíduos com histórico de depressão, ansiedade e doenças crônicas costumam apresentar maior vulnerabilidade nesse período do ano.
Medidas simples podem ajudar a reduzir os efeitos do frio sobre a saúde mental e diminuir o risco de depressão. Entre elas estão manter uma rotina regular de sono, praticar atividade física, buscar exposição à luz natural diariamente e preservar o convívio social. Também é recomendável manter atividades de lazer e evitar o isolamento prolongado, mesmo nos dias mais frios.
Uma alimentação equilibrada e a redução do consumo excessivo de álcool também contribuem para o bem‑estar emocional. Especialistas reforçam que a procura por acompanhamento psicológico ou psiquiátrico é fundamental quando os sintomas de depressão se tornam persistentes ou começam a interferir nas atividades do dia a dia. O diagnóstico precoce aumenta as chances de recuperação e melhora da qualidade de vida.
Fonte: Metrópoles Saúde
