Um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas apontou que o excesso de peso passou a ser o principal fator de risco para a saúde da população brasileira, superando a hipertensão.
A análise demonstra que o país avançou no controle da pressão alta e do tabagismo, porém não conseguiu conter o crescimento da obesidade. O levantamento faz parte da série GBD (Global Burden of Disease) e avaliou a evolução dos principais fatores de risco ao longo das últimas décadas.
No início do período estudado, a hipertensão ocupava a liderança entre os fatores de risco analisados, mas a redução de seu impacto fez com que recuasse para a segunda posição.
A diminuição da exposição ao cigarro também contribuiu para reduzir a participação do tabagismo entre os principais fatores associados à perda de saúde no país.
Em contraste, o índice de massa corporal elevado ganhou relevância: em 1990, o alto índice de massa corporal e a glicose alta no sangue estavam em sétimo e sexto lugares, respectivamente. Em 2023, eles subiram para o primeiro e o terceiro lugar, ultrapassando a pressão arterial elevada.
O Ministério da Saúde classifica a obesidade como doença crônica e multifatorial, destacando que aspectos biológicos, sociais e ambientais, além de alimentação inadequada e baixa atividade física, podem contribuir para seu desenvolvimento.
Segundo o ministério, a obesidade aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, doenças hepáticas e renais, bem como de alguns tipos de câncer. O enfrentamento do excesso de peso deve levar em conta as condições de vida e saúde de cada pessoa, evitando culpabilização e estigmatização.
Os resultados revelam uma mudança na composição dos fatores que mais afetam a saúde no Brasil: as medidas de controle da hipertensão e do tabagismo reduziram seu impacto, enquanto o excesso de peso avançou, tornando a obesidade um desafio central de saúde pública. Entre as recomendações para os próximos anos estão a prevenção da obesidade desde a infância, o incentivo à alimentação saudável, o cuidado com a saúde mental e a manutenção do financiamento do Sus, preparando o que for necessário para futuras emergências.
Fonte: CNN Brasil Saúde
