Estudo revela por que câncer colorretal avança de forma agressiva em jovens

Uma ampla investigação científica conduzida por pesquisadores do Mass General Brigham, do Instituto Gene Lay de Imunologia e Inflamação, em parceria com o Instituto de Câncer Dana‑Farber e o Instituto Broad, revelou descobertas cruciais sobre o comportamento do câncer colorretal em adultos jovens.

O estudo, publicado na revista Nature Medicine, analisou o crescimento dessas neoplasias em pessoas com menos de 50 anos, faixa que apresentou um aumento anual de 2,9% nos diagnósticos entre 2013 e 2022 nos Estados Unidos, segundo dados da Sociedade Americana do Câncer.

Especialistas alertam que a elevação da incidência é preocupante, pois o câncer colorretal se tornou a principal causa de morte oncológica nessa população, que costuma descobrir a doença em estágios avançados.

A coautora sênior Ana C. Anderson, professora da Harvard Medical School, destacou ao site O Globo a necessidade urgente de mapear as particularidades biológicas da doença ao longo de toda a vida: “É urgente entender por que o câncer colorretal está afetando adultos jovens em taxas cada vez maiores. E isso começa com a compreensão da biologia da doença ao longo de toda a vida. Ao olhar além dos limites de idade convencionais, descobrimos padrões biológicos que estudos anteriores podem ter deixado passar e criamos uma base para que a área os investigue mais a fundo”.

Para investigar a transformação da doença com o envelhecimento, a equipe analisou 189 amostras de cirurgias armazenadas no Biobanco Gastrointestinal do Dana‑Farber, abrangendo pacientes de 29 a 94 anos.

Com apoio da técnica de sequenciamento de RNA de núcleo único, os cientistas mapearam a atividade gênica em mais de 850 mil células cancerígenas e tecidos tumorais congelados.

Em vez de dividir rigidamente os grupos em jovens e idosos, o método avaliou fatores que mudavam progressivamente ao longo do tempo, levando em conta localização do tumor, estágio, sexo e tratamentos prévios.

A análise revelou que os pacientes mais jovens apresentam maior atividade de RNAs não codificantes longos, sobretudo os chamados RNAs “escuros”, cujas funções biológicas ainda não foram totalmente esclarecidas.

Além disso, os dados apontam para uma sinalização celular mais intensa nesses tecidos, o que pode favorecer a movimentação e invasão das células malignas em tecidos adjacentes.

Apesar dos caminhos promissores, os autores ressaltam que os achados atuais não comprovam uma relação direta de causa e efeito com a agressividade da patologia, mantendo em aberto questões sobre a resposta imunológica nas diferentes faixas etárias.

Os próximos passos da comunidade científica incluem investigar se essas alterações influenciam a progressão tumoral e se podem ser revertidas em novas abordagens terapêuticas.

Fonte: Terra Saúde

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