Um estudo observacional publicado na revista BMJ Open Ophthalmology sugere que o uso da metformina pode estar associado a uma menor progressão da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) em pacientes com diabetes tipo 2.
A pesquisa acompanhou cerca de dois mil indivíduos com diabetes tipo 2 ao longo de cinco anos e constatou que quem fez uso contínuo do medicamento apresentou 37% menos risco de avançar para o estágio intermediário da DMRI, mesmo após ajustes para idade, sexo, presença de retinopatia diabética, controle glicêmico e tempo de diagnóstico.
A DMRI é uma das principais causas de perda de visão em idosos, afetando a mácula, região responsável pela visão central, detalhada, leitura, reconhecimento de cores e de rostos.
A doença se manifesta em duas formas: a forma seca, que corresponde a aproximadamente 85% dos casos e se caracteriza pelo afinamento da mácula e acúmulo de drusas, e a forma úmida, mais agressiva, marcada pelo crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina, que podem vazar sangue ou fluido e provocar perda visual rápida.
Fatores de risco reconhecidos para ambas as formas incluem envelhecimento, predisposição genética, tabagismo, hipertensão, colesterol elevado e diabetes mal controlada.
Especialistas apontam mecanismos biológicos plausíveis para a associação encontrada. Segundo a oftalmologista Erika Yasaki, do Hospital Israelita Albert Einstein, a metformina não atua apenas no controle da glicose, mas também modula processos celulares ligados ao envelhecimento, como a redução do estresse oxidativo e da inflamação, ambos diretamente envolvidos na progressão da DMRI.
Além disso, o fármaco ativa a via AMPK, responsável pela regulação energética, limpeza e sobrevivência celular. Em modelos experimentais, essa ativação tem sido relacionada à proteção dos fotorreceptores e do epitélio pigmentar da retina, com diminuição do estresse oxidativo e melhora da função mitocondrial, conforme relata a médica Solange Travassos, coorden
Fonte: Metrópoles Saúde
