Derrota da Seleção Brasileira pode ensinar crianças a lidar com frustração

A eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo 2026 deixou muitos torcedores frustrados, mas para crianças e adolescentes a derrota pode se transformar em importante oportunidade de aprendizado.

Especialistas ressaltam que sentir tristeza, raiva, decepção ou frustração diante de uma perda é parte natural da vida. A psicóloga Carmela explica que o adolescente precisa perceber que não é o sentimento que determina quem ele é, mas a forma como escolhe responder a ele, e que o episódio pode estimular o autoconhecimento.

Em vez de exigir que o jovem supere logo, pais e responsáveis podem ajudá-lo a identificar o que está sentindo, entender por que a derrota afetou tanto e buscar atitudes que tragam mais equilíbrio, como conversar, fazer pausa nas redes sociais, praticar atividade física e refletir antes de responder a provocações.

A psicóloga Raquel Lima, do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, reforça que a derrota da Seleção pode ajudar crianças a compreender que a frustração faz parte da vida e que perder não significa fracassar.

Para crianças que criam vínculo afetivo com o esporte, chorar ou ficar triste após uma eliminação é reação natural. Frases como “é só um jogo” ou “para de chorar” podem passar a ideia de que o sentimento da criança não importa.

O adulto deve validar a emoção antes de tentar explicar a situação, por exemplo dizendo: Entendo que você ficou triste, e depois mostrar que a tristeza passa e que derrotas são parte das experiências humanas.

As profissionais lembram que vivemos em uma cultura que valoriza excessivamente a vitória e associa sucesso ao valor pessoal. Ensinar crianças e adolescentes a perder também protege a autoestima.

A derrota não diminui ninguém. Ao contrário, pode abrir espaço para refletir, rever estratégias, crescer e desenvolver maturidade, enquanto o foco exclusivo no resultado deixa esforço, dedicação, persistência e coragem de tentar novamente em segundo plano.

O episódio pode servir como ponto de partida para conversar sobre outras frustrações, como nota baixa, briga com amigos, rejeição, expectativa não alcançada ou mudança inesperada. Carmela destaca que os pais não precisam ter respostas prontas. O mais importante é criar um espaço de escuta, acolhimento e diálogo, pois adultos que demonstram serenidade diante das próprias frustrações tornam-se exemplos importantes.

A atenção deve aumentar quando a reação da criança ou do adolescente é muito intensa, prolongada ou começa a atrapalhar a rotina, com sinais como alterações no sono, na alimentação, no desempenho escolar, nas brincadeiras, explosões frequentes de raiva, isolamento, medo excessivo de errar, baixa autoestima persistente, ansiedade intensa ou desistência constante diante de desafios, situações em que o acompanhamento psicológico pode ser indicado.

Fonte: Metrópoles Saúde

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