Covid-19: aumento de casos faz capitais voltarem a recomendar máscaras

Mulher veste máscara de proteção
Reprodução: BBC News Brasil

Mulher veste máscara de proteção

A nova onda da Covid-19, que leva o Brasil a registrar os maiores números de novos casos por dia desde o início de março, tem provocado mudanças nas recomendações do uso de máscaras de estados e municípios. Ao menos sete capitais e o Distrito Federal voltaram a recomendar a proteção facial em lugares fechados, ou abertos com aglomerações. Há ainda casos em que o retorno da medida acontece de forma obrigatória.

Em São Paulo, a prefeitura da capital voltou a orientar o acessório em ambientes fechados após sugestão do Comitê Científico a todo o estado, no início de junho. Na época, os hospitais paulistas enfrentavam uma alta de 74% nas internações pela Covid-19. Embora não tenha sido implementada de forma obrigatória, a estratégia de retomar as máscaras ajudou a controlar o indicador – ontem, a variação em relação às duas semanas anteriores foi de 13%, cenário que indica estabilidade.

Outros estados seguiram São Paulo e também voltaram a recomendar o item nesses espaços. É o caso do Ceará e do Rio Grande do Norte, o último tornando a orientação obrigatória nas escolas. Em Brasília e em Curitiba, a indicação se estende ainda a ambientes abertos com aglomeração, porém também de maneira facultativa.

“Acho que a recomendação em locais fechados é adequada e propícia para o momento. Além da alta de casos, estamos entrando no inverno, um momento que sabemos existir uma maior circulação de vírus respiratórios já que as pessoas ficam mais tempo em ambientes fechados por conta das temperaturas mais frias”, avalia o engenheiro biomédico e pesquisador da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, Vitor Mori, membro do Observatório Covid-19 BR.

Já o Piauí, no último dia 16, foi o único estado até então a tornar o retorno do acessório em lugares fechados mandatário para toda a população. A decisão foi tomada após sugestão do Comitê de Operação Emergenciais (COE) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), que destacou um aumento de 753% nos novos casos, com tendência de alta.

A mesma alteração das regras foi realizada por Belo Horizonte. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a retomada da obrigatoriedade de máscaras em locais fechados na capital foi consequência do aumento na positividade dos testes de Covid-19 – percentual dos exames com resultado positivo.

Inicialmente, a pasta afirma que pretende manter a volta apenas até o dia 31 de julho, por ser o tempo estimado para que os casos voltem a cair na cidade. Porém, ressalta em nota que “se necessário e com base em evidências científicas, novas medidas podem ser imediatamente adotadas”. Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou que os municípios têm independência para decidir sobre o uso obrigatório ou não do item e que não emitiu orientação a nível estadual.

No Rio de Janeiro, após um período de indicadores em baixa, a mudança no cenário epidemiológico levou a prefeitura da capital a recomendar, no início do mês, que idosos, pessoas com comorbidades e alunos em escolas considerem o uso da proteção facial. O estado também libera para as cidades tomarem a decisão.

“O uso de máscara também ainda é indicado quando estamos perto de pacientes imunossuprimidos, gestantes e idosos, pois são pessoas mais suscetíveis a uma evolução mais grave da doença quando contaminadas”, explica a infectologista Karen Morejón, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Fonte: IG SAÚDE

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