Casos de vírus Nipah levam países a reforçar protocolos de segurança

Países da Ásia voltaram a reforçar protocolos sanitários após a confirmação de cinco novos casos do vírus Nipah na Índia. Diante do alerta, Tailândia, Nepal e Taiwan reativaram medidas de vigilância e controle semelhantes às adotadas durante a pandemia de Covid-19, em razão da alta letalidade associada à doença.

Em entrevista ao programa CNN Novo Dia desta quarta-feira (28), o infectologista Renato Kfouri explicou que o vírus Nipah foi identificado há cerca de 30 anos, com os primeiros registros ocorrendo na Malásia. Segundo ele, a descoberta aconteceu após a investigação de um surto ligado ao consumo de água contaminada, quando os morcegos passaram a ser reconhecidos como os principais transmissores do vírus.

O especialista destaca que o Nipah é um vírus zoonótico, capaz de infectar humanos e animais. Os morcegos funcionam como reservatórios naturais, mas a transmissão também pode ocorrer por meio de água contaminada, alimentos ou animais infectados, como porcos.

A principal preocupação em relação ao Nipah é a gravidade dos casos. De acordo com Kfouri, cerca de dois terços das pessoas infectadas acabam morrendo. A doença pode provocar quadros neurológicos severos, com rápida evolução e alto risco de óbito.

Apesar disso, o infectologista ressalta que o vírus apresenta baixa capacidade de transmissão entre humanos. Segundo ele, não há evidências de disseminação sustentada de pessoa para pessoa, o que reduz significativamente o risco de uma pandemia. Os casos de transmissão humana costumam ocorrer apenas em situações de contato muito próximo, como entre profissionais de saúde ou pessoas que convivem no mesmo domicílio.

Os sintomas iniciais são semelhantes aos de outras viroses, incluindo febre, dor de cabeça e mal-estar, mas podem evoluir rapidamente para complicações graves. Desde a identificação do vírus, aproximadamente 500 casos foram registrados no mundo, a maioria concentrada no Sudeste Asiático.

A Organização Mundial da Saúde mantém alerta sobre o Nipah como forma de prevenção, considerando o cenário de intensa mobilidade global. Kfouri lembra que, embora os deslocamentos internacionais ampliem riscos, o Nipah possui características que dificultam uma disseminação global, já que sua principal forma de transmissão envolve o contato com morcegos frugívoros, pouco comuns em várias regiões do mundo.

Atualmente, não há vacina nem tratamento específico contra o vírus. As principais estratégias de controle seguem sendo a vigilância ativa, o isolamento de casos e o monitoramento de contatos. Nos surtos anteriores, essas medidas foram suficientes para conter a propagação da doença.

Fonte: web

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