Tarifa de 37,5% ameaça têxtil, máquinas e calçados, diz indústria

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (23), a elevação da tarifa sobre produtos brasileiros para 37,5%. A medida soma um adicional de 12,5% à alíquota de 25% já vigente e abrange setores como máquinas, calçados, autopeças, têxteis e confecções, conforme informou o ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), classificou a decisão como “novo obstáculo” para as empresas nacionais, reduzindo a competitividade no mercado norte‑americano.

Ele ressaltou que a tarifa de 25% aplicada anteriormente atingia apenas o Brasil, enquanto a nova cobrança também recai sobre outros países exportadores, ampliando o impacto sobre os produtores brasileiros.

Os Estados Unidos permanecem entre os principais destinos das exportações de têxteis e confecções do Brasil. A elevação da taxa, segundo Pimento, fortalece a posição dos fabricantes norte‑americanos frente aos produtos importados e compromete a previsibilidade das relações comerciais entre as duas nações.

Pimentel apontou que os EUA detêm cerca de US$ 300 bilhões em investimentos no Brasil, enquanto empresas brasileiras mantêm aproximadamente US$ 30 bilhões investidos no mercado norte‑americano.

Em relação à justificativa americana de combate ao trabalho escravo, o dirigente afirmou que “é injusto”. Segundo ele, o Brasil dispõe de legislação avançada, estruturas permanentes de fiscalização e mecanismos como a lista de empregadores responsabilizados, o que torna a alegação dos EUA desconexa da realidade nacional.

Sobre a participação dos EUA nas exportações de nicho, Pimentel informou que cerca de 35% das vendas brasileiras de moda praia, 30% de vestidos e saias e 27% de meias têm como destino o país norte‑americano.

Ele também destacou o crescimento das importações no mercado interno, sobretudo de produtos asiáticos, principalmente chineses, ao passo que a produção nacional de têxteis e confecções já apresenta queda, indicando a necessidade de buscar novos mercados e adotar medidas de defesa comercial.

Por fim, o presidente emérito da Abit ressaltou que programas emergenciais, como o Brasil Soberano, são importantes para apoiar as empresas afetadas, mas não substituem uma agenda estrutural de redução do custo Brasil e fortalecimento da política industrial. A entidade defende a continuidade das negociações com os Estados Unidos, buscando garantir igualdade de condições tributárias e regulatórias para as indústrias brasileiras.

Fonte: Poder Economia

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