O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, afirmou que uma eventual aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 poderá provocar aumento de custos operacionais e impactos nos preços dos produtos vendidos pelos supermercados. A declaração foi feita em entrevista à CNN Brasil.
Segundo Ortega, o setor supermercadista já enfrenta dificuldades para preencher vagas de trabalho e teme que a mudança agrave ainda mais a escassez de mão de obra. Apenas no estado de São Paulo, de acordo com ele, existem cerca de 35 mil vagas em aberto.
Na avaliação do dirigente, os principais desafios seriam o aumento dos custos operacionais e a necessidade de contratar mais trabalhadores para suprir a redução da jornada. Ele estima que os impactos nos preços ao consumidor poderiam variar entre 9% e 10%.
Ortega afirmou ainda que os efeitos não se restringiriam aos supermercados, alcançando também condomínios, hospitais, bares, restaurantes e o setor agrícola.
Por outro lado, o presidente da Apas avaliou positivamente a possibilidade de adoção da escala 5×2 com manutenção da carga semanal de 44 horas, modelo que, segundo ele, já é utilizado por algumas empresas sem provocar aumento expressivo de custos.
O dirigente também defendeu a aprovação do Projeto de Lei nº 12, em discussão no Senado, que prevê maior liberdade para definição das jornadas de trabalho. Segundo ele, pequenos e médios supermercados teriam mais dificuldade para se adaptar às mudanças previstas na proposta que extingue a escala 6×1.
Para Ortega, o debate sobre o tema deve envolver empresários, trabalhadores e consumidores, com o objetivo de buscar soluções equilibradas que preservem empregos e a competitividade do setor.
Fonte: CNN Brasil
