Os economistas Elena Landau e José Roberto Mendonça de Barros avaliam que o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma crise de credibilidade e defendem uma discussão mais ampla sobre a possibilidade de impeachment de ministros da Corte.
Economista e advogada, Elena afirmou que anteriormente era contrária ao impeachment de ministros quando o tema aparecia como uma bandeira essencialmente política ligada aos acontecimentos de 8 de Janeiro. Segundo ela, porém, o debate ganhou outra dimensão.
“Hoje, a pauta sobre o Supremo não é uma pauta bolsonarista. Hoje, a pauta do Supremo é uma pauta da sociedade. E a sociedade não compra mais que os abusos do Supremo são em nome da democracia”, afirmou.
Elena disse ainda ser favorável ao impeachment de um ministro em caso de erro grave, argumentando que integrantes da Corte também precisam estar sujeitos a consequências por suas decisões.
José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica e sócio-fundador da MB Associados, também fez críticas ao Supremo e afirmou que a Corte teria ultrapassado um limite em sua relação com a sociedade.
“No caso específico do Supremo, eu acho que ele não percebeu, porque vive numa bolha, mas passou do ponto de não retorno”, afirmou.
Segundo o economista, o STF já não teria o mesmo nível de respeito que possuía anteriormente. Ele disse acreditar que poderá haver algum movimento mais consistente envolvendo pedidos de impeachment, ainda que não seja possível prever se um processo chegaria ao fim.
As declarações ocorreram durante o quarto debate de uma série promovida pelo Estadão sobre os desafios econômicos e institucionais que serão enfrentados pelo próximo governo, a partir de 2027.
Crise institucional
Durante o debate, Elena também avaliou que o país enfrenta problemas mais amplos de governança. Para ela, há uma crise institucional e moral que envolve os Três Poderes.
A economista criticou o funcionamento do Congresso, apontou isolamento do Executivo e citou polêmicas envolvendo o Judiciário. Na avaliação dela, o fortalecimento das instituições passa pela recuperação de regras de transparência, governança e responsabilização.
Mendonça de Barros concordou com o diagnóstico e afirmou que o desgaste não surgiu recentemente, mas é resultado de um processo acumulado ao longo dos anos. Segundo ele, a reação da sociedade e da imprensa contribuiu para tornar os problemas mais visíveis.
Economia preocupa
Os dois também demonstraram preocupação com o cenário econômico dos próximos anos e defenderam que o governo eleito terá de avançar em uma agenda fiscal.
Mendonça de Barros afirmou que o aumento da carga tributária nos últimos anos não resolveu o problema das contas públicas e que um ajuste será necessário para criar condições para a redução dos juros.
Ao falar das perspectivas econômicas, disse que a projeção é de crescimento de 1,8% neste ano e de 1% em 2027. Na avaliação dele, um desempenho dessa magnitude deixaria o país próximo de uma recessão no fim do próximo ano.
Apesar do pessimismo, o economista destacou como fator positivo a competitividade brasileira em cadeias ligadas a recursos naturais e a possibilidade de entrada de investimentos estrangeiros.
Elena também demonstrou pessimismo em relação a 2027 e afirmou que o país já conhece parte das medidas necessárias para enfrentar os problemas fiscais, mas encontra dificuldades políticas para colocá-las em prática.
Fonte: Estadão Economia
