Smartmatic: entenda empresa venezuelana citada por Flávio Bolsonaro

Flávor Bolsonaro, senador e pré‑candidato, participou de um evento com diplomatas estrangeiros em Brasília na terça‑feira (21) e afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic, citando ainda um suposto relatório da CIA sobre fraude nas eleições de 2012 na Venezuela.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu que utilize urnas da Smartmatic no Brasil. Em nota publicada originalmente em 2020 e reiterada recentemente, o órgão esclareceu que a empresa nunca forneceu urnas nem software para as eleições brasileiras e que todo o projeto da urna eletrônica é concebido e gerido integralmente pela Justiça Eleitoral.

Segundo o TSE, a Smartmatic chegou a participar da licitação para as urnas de 2020, mas foi derrotada pela Positivo. A empresa também prestou treinamento a profissionais que dão suporte técnico ao sistema brasileiro e firmou contratos apenas para serviços de conexão de dados e voz, sem envolvimento no desenvolvimento ou na operação das urnas.

A campanha de Flávor Bolsonaro, ao ser contatada, declarou que o senador não questionou a integridade do sistema de votação. Em comunicado, a equipe afirmou que o candidato exortou os diplomatas presentes a enviar o maior número possível de observadores internacionais para as eleições brasileiras.

No evento “Debatendo o Brasil”, organizado pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, Flávor dirigiu‑se a representantes de quase 50 países e organizações internacionais. Ele reiterou que não estava questionando o sistema e pediu maior participação de observadores para garantir transparência e segurança.

O TSE já havia condenado o ex‑presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávor, à inelegibilidade por oito anos, por declarações falsas sobre o processo eleitoral feitas em reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, poucos meses antes da eleição de 2022.

A Smartmatic atuou nas eleições venezuelanas entre 2004 e 2017, oferecendo automação, contagem, transmissão e totalização dos votos, além de produção e fornecimento de urnas eletrônicas e softwares de gestão. A empresa encerrou o contrato após denunciar suspeita de fraude na divulgação oficial dos resultados das eleições de 2017.

Fundada em 2000 na Flórida, nos Estados Unidos, a Smartmatic tem sede atual em Londres. Na última semana, a Casa Branca divulgou documentos de investigação da CIA que analisaram a capacidade do governo venezuelano de manipular eleições usando tecnologia de votação eletrônica.

O relatório da CIA não confirmou a ocorrência de fraude, apenas apontou que autoridades venezuelanas possuíam “alguma capacidade de manipular sistemas de votação eletrônica”. A análise concluiu que nem a Smartmatic nem o governo venezuelano tinham capacidade de interferir em eleições fora da Venezuela.

Fonte: BBC News Brasil

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