Skaf critica avanço da 6×1 durante período eleitoral: “PEC boca de urna”

A PEC do fim da escala 6×1 começou a andar no Senado, com o encaminhamento da pauta para a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) da Casa.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), manifestou forte oposição à aprovação da proposta no atual contexto eleitoral.

Em entrevista ao CNN 360º nesta terça-feira (25), Skaf afirmou que o relator Omaz Aziz (PSD‑AM), candidato no Amazonas, “está com pressa porque pensa na eleição, não nas pessoas, nem nos interesses da população brasileira”.

Para o empresário, a tramitação da PEC após as eleições transformaria o debate em “PEC boca de urna”, com total interesse eleitoral.

Diante do avanço da proposta, Skaf anunciou que a Fiesp articulará um movimento junto a senadores que não são candidatos nas eleições, por considerá‑los mais livres de pressões políticas, e já tem reunião marcada para segunda‑feira com diversos setores e entidades.

Ele lembrou que, em tentativa anterior de adiar a votação com o presidente do Senado, cerca de três mil entidades de todo o país assinaram manifesto pedindo o postergamento da discussão para depois das urnas, ressaltando que “não se pode fazer chantagem com senadores ou deputados”.

Skaf ainda criticou a forma como o governo vendeu a pauta, dizendo que “esqueceu de falar que tem uma conta e quem vai pagar essa conta são os mais pobres”, e defendeu a chamada “PEC do Trabalho Flexível”, que permitiria negociação de escalas e jornadas por acordos coletivos ou individuais.

Ele apontou a ausência de estudos de impacto, afirmando que nem a Câmara dos Deputados, ao aprovar a medida, nem o Senado dispõem de qualquer análise, o que compromete a transparência do processo.

Segundo Skaf, a aprovação da PEC nos moldes atuais elevaria os custos das empresas em 18,2%, sendo 9,1% decorrentes da mudança de 6×1 para 5×2 e outros 9,1% pela redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, o que “o condomínio das pessoas vai subir direto, na veia”.

O representante da Fiesp destacou que setores como supermercados, serviços, prefeituras com contratos terceirizados e a indústria em geral seriam diretamente atingidos, citando o Chile como exemplo de aumento da informalidade e desemprego após mudança semelhante, e alertou para a rotatividade gerada por dispensas e readmissões a custo menor.

Ele concluiu que, dos aproximadamente 45 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Brasil, cerca de 30% atuam no regime 6×1, enquanto os demais 70% já operam em escalas distintas, fruto de décadas de negociações.

Fonte: CNN Brasil Política

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