Sheila Andrade: a dark horse que pode surpreender os medalhões no Acre

Ela não está no topo das pesquisas. Mas aparece justamente onde o jogo ainda está aberto.

Na pesquisa espontânea do Instituto Perfil, realizada entre 20 e 27 de agosto para deputado federal no Acre, 61,3% dos eleitores disseram ainda não saber em quem votar. Em um cenário bastante pulverizado, Sheila Andrade aparece com 0,1% das intenções espontâneas, no mesmo patamar de nomes conhecidos como Eber Machado e Coronel Edvan.

Pode parecer pouco em números absolutos. Mas, em uma disputa na qual nenhum candidato dispara na preferência espontânea, qualquer movimento de crescimento pode alterar rapidamente o cenário.

Quem é Sheila Andrade

Aos 53 anos, Sheila Andrade é natural de Cruzeiro do Sul. É graduada em Geografia pela Universidade Federal do Acre (Ufac), mestre em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Fiocruz e possui especializações em Gestão em Saúde Pública, Vigilância Ambiental e Gestão Ambiental.

Ao longo da carreira, ocupou diferentes funções na área da saúde. Foi gerente da Central de Demanda da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), coordenadora do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde do Hospital de Tarauacá, assessora da Secretaria Adjunta de Saúde e secretária municipal de Saúde de Rio Branco durante a gestão do prefeito Tião Bocalom.

Em 2024, deixou o cargo para disputar uma vaga na Câmara Municipal de Rio Branco. Recebeu 2.723 votos e ficou na suplência. Posteriormente, foi exonerada do cargo de assessora no gabinete do prefeito.

Por que pode ser uma dark horse?

O primeiro fator é o perfil técnico. Enquanto boa parte dos nomes conhecidos da política acreana entra na disputa carregando grupos, alianças e estruturas tradicionais, Sheila tenta se apresentar a partir de sua experiência na gestão pública e, principalmente, na área da saúde.

Outro ponto é sua ligação com diferentes regiões do estado. Nascida no Juruá e com atuação profissional consolidada em Rio Branco, ela acumula experiência no interior e na capital, característica que pode ajudar a ampliar sua presença para além de uma única base geográfica.

Há também o potencial de crescimento entre o eleitorado feminino. Sheila recebeu o Prêmio Mulher Destaque da Câmara Municipal de Rio Branco, teve atuação em campanhas como o Outubro Rosa e construiu parte de sua trajetória profissional diretamente ligada ao atendimento e à gestão em saúde.

Mas o maior ativo, neste momento, é o tamanho da parcela ainda indefinida do eleitorado. Com mais de 60% dos entrevistados sem apontar espontaneamente um candidato a deputado federal, existe espaço para candidaturas ainda pouco conhecidas avançarem durante a campanha.

O cálculo eleitoral

Na eleição proporcional, não existe uma quantidade fixa de votos que garanta uma cadeira de deputado federal. O resultado depende do desempenho do partido ou da federação, do quociente eleitoral e da votação individual dos candidatos.

Mesmo assim, a votação obtida por Sheila em 2024 ajuda a dimensionar seu ponto de partida.

Se ela repetir os 2.723 votos conquistados na disputa para vereadora em Rio Branco e acrescentar, em média, cerca de 400 votos em cada um dos 21 municípios do interior, ultrapassaria a marca de 11 mil votos.

Isso, isoladamente, não garantiria uma vaga, mas poderia colocá-la em posição competitiva dependendo do desempenho de sua legenda e da distribuição das cadeiras.

É justamente aí que surge a comparação com uma dark horse: uma candidatura que começa fora do grupo dos favoritos, recebe pouca atenção no início e tenta crescer enquanto os nomes mais conhecidos concentram a disputa entre si.

Em uma eleição com alto índice de indecisos e cenário pulverizado, subestimar candidaturas desse perfil pode ser um erro.

Gostou deste artigo?

Facebook
Twitter
Linkedin
WhatsApp

© COPYRIGHT O ACRE AGORA.COM – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. SITE DESENVOLVIDO POR R&D – DESIGN GRÁFICO E WEB