Senadores lembram legado de Nilo Coelho para desenvolvimento do Nordeste


A defesa de uma política de integração nacional e a condução de práticas que estimularam o desenvolvimento do Nordeste. Essas foram as grandes marcas deixadas pelo ex-senador e ex-governador Nilo de Souza Coelho, lembradas pelos senadores nesta quinta-feira (19) durante sessão especial semipresencial em homenagem ao centenário de nascimento do político pernambucano.

Nilo Coelho nasceu em Petrolina em 2 de novembro 1920. Era médico e chegou a ocupar os cargos de deputado estadual e federal, governador de Pernambuco e senador, sendo eleito em 1983 presidente do Congresso Nacional. Morreu em 1983, aos 63 anos, quando ocupava a presidência do Senado.

Autor do requerimento (RQS 731/2020) para a realização da sessão e sobrinho de Nilo Coelho, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) ressaltou que a homenagem ultrapassava a questão do laço sanguíneo. Para ele, trata-se de reconhecer o trabalho desempenhado pelo ex-senador na busca incansável por justiça social e pelo desenvolvimento do sertão nordestino por meio de um sistema de irrigação integrado.  

— Foi incansável no esforço de criar as condições para o desenvolvimento sustentável do sertão. Ao compreender que o acesso à água era o motor desse desenvolvimento, atuou para implementar os perímetros irrigados do Vale do São Francisco. Hoje, a região produz riquezas. É responsável por 90% das exportações de uva e manga do Brasil, um negócio pujante que gera mais de 360 mil empregos diretos. Um sonho que começou com Nilo Coelho e que vive na memória e no coração da sua gente — destacou.

A visão de um Brasil integrado e o estímulo à produtividade na região de Petrolina tão também foram ressaltados pelo senador Antonio Anastasia (PSD-MG), que presidiu a sessão.

— Como um grande empreendedor, ele, não só com seu conhecimento médico e, portanto, conhecedor da sensibilidade e da capacidade humana, teve uma antevisão do desenvolvimento integrado e realizou em Petrolina, em toda aquela região do interior do Nordeste, anteriormente conhecida por sua aridez, um verdadeiro oásis da fruticultura internacional — apontou.

Na avaliação do líder do MDB, senador Eduardo Braga (AM), Nilo Coelho foi o “governador da integração” e por isso continua sendo inspiração para aqueles que buscam, na vida pública, um caminho para promover justiça social e combater a desigualdade regional.  Ao fazer referência às defesas integracionistas de Nilo Coelho, Braga criticou o sistema nacional de fornecimento de energia, citando os apagões sofridos pelo estado do Amapá.

— Quero aqui prestar a minha solidariedade amazônida aos amazônidas do Amapá, que têm sofrido as duras consequências da falta de energia nas últimas semanas. Não podemos admitir uma parte do Brasil excluída e à margem do processo de desenvolvimento. Isso [a integração] era o que defendia Nilo Coelho há quase cem anos — afirmou.

Estradas

Já o senador Wellington Fagundes (PL-MT) enalteceu a visão estratégica desenvolvimentista do homenageado que, segundo ele, se notabilizou por ser um “construtor de estradas”,  o que o levou a ser conhecido como “Governador Estradeiro”. 

— Vejo na história de Nilo Coelho uma inspiração para a luta que empreendemos no Congresso Nacional para construir um Brasil moderno, um Brasil mais competitivo, um Brasil mais forte, o que, em análise derradeira, significa um Brasil melhor para o nosso povo. Um país de dimensões continentais, conectado pelos modais rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo, ou seja, um país devidamente integrado, pelo qual será possível subjugar as diferenças econômicas e sociais que persistem — afirmou.

Também ressaltaram o espírito integracionista de Nilo Coelho os senadores Elmano Férrer (PP-PI) e Eduardo Gomes (MDB-TO).

O ex-senador José Sarney, convidado para a sessão, justificou sua ausência em razão da pandemia de covid-19, mas encaminhou carta registrando que teve uma relação de amizade próxima com o homenageado e que a memória de Nilo Coelho “ainda permanece muito viva em todos nós”.

Vídeo

Foi exibido um vídeo institucional que trouxe um discurso de Nilo Coelho defendendo a igualdade regional e o desenvolvimento do Nordeste e um resumo reverenciando sua atuação política em defesa de iniciativas para o sertão nordestino. Entre os feitos, o projeto de irrigação do Vale São Francisco, a ampliação da produção agrícola e a criação da Fundação de Ensino Superior de Pernambuco, hoje Universidade de Pernambuco (UPE). O vídeo também fez referência ao pioneirismo de Nilo Coelho por ter integrado as regiões do sertão e agreste ao litoral em Pernambuco, com a inauguração de 800 quilômetros de rodovia pavimentada entre Recife e Petrolina e construção dos primeiros viadutos para o escoamento do tráfego urbano em Recife.  

Ainda durante a sessão, o senador Fernando Bezerra Coelho entregou a Cezar Coutinho, representante da família, uma placa que faz referência à homenagem prestada pelo Senado a Nilo Coelho.

Também estiveram presentes na sessão o deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE); o diretor da Área de Gestão dos Empreendimentos de Irrigação da Codevasf, Luis Napoleão Casado Arnaud Neto; o reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Paulo César Fagundes Neves; além de familiares de Nilo Coelho: Caio Coelho, Felipe Coelho e Renan Paes Barreto. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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