Segurança pública deverá ser prioridade no próximo governo

O Brasil fechou 2025 com taxa próxima de 16 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, segundo dados recentes do Ministério da Justiça. No Acre, o índice estimado ficou em torno de 20 por 100 mil.

A diferença parece numérica. Mas é política.

O estado está acima da média nacional. E, se o país continuar reduzindo seus índices, o Acre corre o risco de ficar ainda mais exposto no comparativo.

Mas estatística, sozinha, não traduz o que acontece nas ruas.

O acreano comum não pensa em taxa por 100 mil habitantes. Ele pensa em voltar pra casa em segurança. Pensa no filho que sai cedo pra escola. Pensa no comércio que fecha antes do anoitecer em determinados bairros.

Não se trata apenas de homicídios.
Trata-se de conviver com regras impostas por quem anda com a arma na cintura.

Em áreas periféricas de Rio Branco e em municípios do interior, há territórios onde a presença do Estado ainda disputa espaço com o poder paralelo. Há códigos informais, fronteiras invisíveis, silêncios forçados.

A polícia atua. Há operações, prisões e apreensões. Mas a percepção social muitas vezes não acompanha a estatística. E, em política, percepção pesa tanto quanto número.

Esse é o cenário que o próximo governador encontrará.

Não é um estado em colapso. Mas também não é um estado pacificado.

Estar quatro pontos acima da média nacional significa que qualquer desorganização institucional, qualquer enfraquecimento na inteligência ou no sistema prisional pode produzir efeito imediato na curva da violência.

O desafio é duplo.

Primeiro, consolidar a tendência de redução e impedir que o Acre se descole da queda nacional.

Segundo, enfrentar o que não aparece integralmente nos indicadores: a influência territorial das facções, a reorganização dentro dos presídios, a vulnerabilidade social que alimenta o recrutamento de jovens.

Os postulantes ao cargo de governador não poderão tratar segurança pública como tema secundário na campanha eleitoral. O assunto tem alto clamor público. Ele atravessa todas as classes sociais, mas pesa especialmente nas periferias.

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