Se esse vírus não foi intencional, certamente os próximos serão

Espero estar radicalmente errado sobre isso, mas temo que não. Fui dar uma breve olhada no uso de agentes biológicos e químicos em guerras e ataques na história dos bípedes de polegar opositor e pá: fui surpreendido com incontáveis acontecimentos desde a antiguidade. Não vamos tão longe no tempo, mas relatarei algumas passagens históricas que enfatizam a propensão do homem ao uso de “achados” de destruição em massa, principalmente quando comprovadamente efetivos.

A contaminação das águas de um castelo ou forte cercado é uma estratégia clássica já retratada no cinema. Lembro-me agora do filme sobre uma unidade do exército Irlandês em missão de paz da ONU no Congo, em 1961. Porém, o lançamento de cadáveres putrefatos contaminados de varíola (a peste negra) em uma cidade, tenho certeza que pode ser novidade para alguns. Essa estratégia foi realizada pelo icônico líder e guerreiro mongol Genghis Khan, que conseguiu com isso dizimar a população da cidade de Caffa, e como efeito colateral, os poucos sobreviventes que conseguiram fugir espalharam ainda mais a doença pela Europa. Talvez por isso os mongóis são considerados os pais da guerra biológica.

Nos tempos modernos, com o domínio da química, armas dessa natureza ganharam espaço nos fronts de batalha. O gás mostarda, por exemplo, foi amplamente utilizado no final da primeira grande guerra (1917); ele causa queimaduras severas na pele, olhos e sistema respiratório. Junto a outros agentes químicos foram responsáveis por mais de 90 mil mortes e 1 milhão de feridos. A letalidade e instabilidade desses agentes assustou os países em guerra, levando a um tratado para proibição dos seus usos. Mas esse acordo não foi nada promissor: logo depois, vários países retomaram o uso de armas químicas em conflitos, sempre com características perversas.

Efeitos do gás mostarda/Foto: reprodução

Na Segunda Guerra Mundial o maior uso de arma química não foi nos campos de batalha, mas nos campos de concentração alemães, o que era chamado de solução final pelo alto Escalão Nazista.

Foi nessa grande guerra que também foi criada a Anti-rosa (a bomba atômica, muito bem definida pelo cantor e compositor Ney Matogrosso), que atingiu as cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki causando destruição e morte, com explosão, ondas de choque e radiação. Mais uma vez acordos de não produção e utilização de armas de destruição em massa foram selados.

E mais uma vez os acordos não foram respeitados. Com o advento da “Guerra Fria” protagonizada não só por americanos e soviéticos, inaugura-se uma nova forma de guerra, silenciosa e furtiva. As armas químicas e biológicas voltam a entrar em cena para alvos pontuais, quase sempre, e para alvos amplos, em algumas situações, e assim foi por várias décadas.

Neste século alguns países e grupos terroristas já possuem meios e intenção de uso de armas químicas e biológicas para atacar seus inimigos, reais ou imaginários. Um exemplo emblemático foi o ataque do governo sírio com gás Sarin, em agosto de 2013, contra opositores que ocupavam um território próximo à capital Damasco; vitimou 1.500 pessoas, sendo 423 crianças.

Crianças vítimas do gás Sarin/Foto: reprodução

Agora, todos estão vendo um vírus desestabilizar o mundo, causando muitas mortes e prejuízos financeiros e econômicos quase incomensuráveis. Considerando que agentes biológicos podem ser introduzidos em um país de forma furtiva e com grande poder de erradicação (se prolifera exponencialmente), autossuficiência (só precisa dos hospedeiros para perpetuar) e evolução (em relação direta com quantidade de hospedeiros/infectados) devem se tornar uma aposta para grupos terroristas e países ultrarradicais. Os seus alvos principais são as grandes potências bélicas e desafetos históricos, mas isso não nos livra de ameaça.

Morte decorrente do novo coronaírus/Foto: reprodução

Os Estados Unidos da América afirmaram que vão retirar aporte financeiro de mais de 400 milhões destinados à Organização Mundial de Saúde, e o chefe do Executivo brasileiro ameaçou fazer o mesmo. Acontece que a terra do “Tio Sam” possui incentivo constante e robusto em pesquisas de diversas áreas científicas, inclusive na saúde; já o Brasil, não, pelo contrário, está contraindo tais investimentos há anos. Então é uma péssima hora para se desligar do órgão mundial que articula e produz metodologias e políticas na saúde. É, de fato, um dos erros mais grotescos e insanos a ser cometido.

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