Rombo expõe urgência por revisão estrutural nos Correios, dizem economistas

Os Correios têm necessidade por uma revisão estrutural de seu modelo de negócios, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money.

Após o prejuízo da estatal mais que triplicar de 2024 para 2025, atingindo R$ 8,5 bilhões, especialistas questionam a credibilidade do plano de reestruturação da empresa e sua eficiência para adequar o postal a um mercado em ampla transformação.

A digitalização reduziu drasticamente o uso de serviços do tipo, levando o ramo a passar por profundas reestruturações ao redor do mundo, relembra o especialista em contas públicas Murilo Viana.

Na outra ponta de negócios, os Correios ficaram para trás do dinamismo das empresas privadas do comércio eletrônico, evidenciando a “estrutura antiquada e cara” da estatal, segundo Viana.

O quadro levou os Correios a iniciarem, no final de 2025, um plano de reestruturação que envolve fechamento de agências, demissões e venda de imóveis, além de um aporte de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos.

“Empréstimo bilionário e venda de ativos podem aliviar o caixa, mas não substituem a revisão de um modelo de negócio que perdeu competitividade em um mercado que mudou”, ressalta Fabio Couto, consultor e ex-diretor do BC (Banco Central).

“Para a governança, a pergunta decisiva é outra: conselho e comitê de auditoria e risco estão discutindo a viabilidade futura da operação ou apenas validando o socorro financeiro? Colocar dinheiro novo para cobrir o passado, sem enfrentar custos rígidos, queda de receita e o desafio da presença universal, é adiar a crise. Conformidade formal é importante, mas não salva sozinha uma empresa que precisa voltar a gerar caixa de forma sustentável”, questiona.

Reestruturação profunda

Viana ressalta que a viabilidade da operação dos Correios não vai ser construída por meio de dívida. Segundo ele, o processo acrescenta risco fiscal às contas públicas, uma vez que a garantia da operação é feita pelo Tesouro Nacional.

“Os Correios continuam sangrando. Para uma empresa que está frágil não seria a melhor alternativa captar bilhões e aumentar a despesa financeira, numa situação de queda de receita e necessitando de brutal investimento para fechar um gap de competitividade. O caminho seria por capitalização”, sugere o especialista em contas públicas.

“A sociedade deve se perguntar se é desejável injetar numa empresa estatal ou pensar em outro modelo de negócio”, pontua.

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