Rodrigo Farias escreve: Aniversário e reflexões sobre chefia autoritária e liderança inspiradora 

Sábado à tarde sempre foi o meu dia favorito para ir ao bar. Naquela tarde, eu estava bastante animado, pois além de sábado, era o dia do meu aniversário. Como de costume, cheguei ao boteco bem antes do horário marcado com os amigos que iriam comemorar a data comigo.

– Alan, me traga um chopp da Brahma e dois bolinhos de bacalhau, por favor. Disse ao garçom.

Ao meu lado, umas cinco mesas emendadas, com um cara que aparentava uns 50 anos sentado na cabeceira e umas vinte pessoas ao redor, no que parecia ser uma confraternização da empresa, aniversariantes do mês ou algo do tipo.

O homem de meia idade estava animado, falava alto e gargalhava de si mesmo, o que contrastava com a cara de desânimo dos demais presentes. Era o retrato fiel do chefe que não sabe liderar e se torna um líder inseguro que faz questão de se impor pelo medo. Aquele tipo de chefe que ama ser temido e que não consegue se fazer respeitado ou querido.

Lembrei de um chefe que havia tido há muitos anos. Um cara totalmente inseguro, profissional ruim e que temia que algum dos seus subordinados brilhasse. Tinha pavor de perder o posto de chefia que o dono da empresa lhe dera por pura amizade e carinho, não por competência, haja vista que ele não a tinha para o tamanho da função que exercia.

Esse tipo de chefe, geralmente é egocêntrico, centrado em si, teme ser superado e, por essa razão, suprime qualquer possibilidade de alguém crescer no time. Não sabe delegar funções e por conta disso sobrecarrega as pessoas. É agressivo, ataca seus colaboradores e não apoia os projetos individuais, de vida e carreira dos integrantes de sua equipe.

O diretor comercial, Marcelo Mendes, disse em uma entrevista que:

“O interesse do chefe é dar ordens e impor regras, enquanto a missão do líder é compreender gente e influenciar seres humanos. A liderança é desenvolvida pela mútua confiança e respeito. A chefia é estabelecida pelo medo e temor.”

John Calvin Maxwell, escritor norte-americano, autor de livros sobre liderança, afirma que “Grandes líderes não são aqueles que impõem sua autoridade, mas sim os que influenciam pelo exemplo.”

Lembrei de uma vez em que esse meu antigo chefe disse em uma reunião com toda a equipe:

“Vocês precisam agradecer pelo salário que recebem todo mês. Eu escolhi vocês para estarem aqui”. 

Ignorando as qualidades e competências individuais do seu time. Como se estivesse fazendo um favor às pessoas que davam duro todos os dias para corresponder suas metas.   

Isso me levou imediatamente ao genial compositor Gonzaguinha, na canção Comportamento Geral.

“Você deve lutar pela xepa da feira e dizer que está recompensado.”

Meus convidados chegaram, pedi ao Alan uma rodada de chope e, graças ao pai, esqueci do antigo chefe déspota, de quem pretendo nunca mais lembrar.

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