Rio Branco, a cidade fugaz; das oportunidades e dos sonhos

Sentado no aconchego da minha sacada, na cadeira de jardim que já foi de minha avó e que passou por gerações antes de vir parar no Acre. Abro um bom chileno e lembro-me saudoso do gosto de fumo torrado do Marlboro. Mesmo depois de tantos anos que deixei de fumar, de quando em vez ainda me lembro do gosto e do cheiro. Tem noites que chego a sonhar que estou dando uns tragos. E então acordo melhor. Pois “fumei” sem prejudicar os pulmões.

Sair de uma metrópole onde se construiu sua história, vida, sucessos e fracassos para morar em Rio Branco, cidade natal de meu pai, mas que não nutria por mim nenhuma relação de afeto. E foi assim que desembarquei no Aeroporto Internacional Presidente Médici em 21 de fevereiro de 2001. Na mala, além de algumas roupas e pacotes de Marlboro, muita insegurança e fé.

Estamos falando de uma Rio Branco em que ainda não existia o Canal da Maternidade, o Calçadão da Gameleira, a Avenida Chico Mendes, a Via Verde… Nem shopping tinha por aqui e a Avenida Antônio da Rocha Viana ainda era uma simples rua. Faculdades só existiam duas. Uma pública e a outra particular. E ainda tem gente que ousa dizer que “nada muda em Rio Branco”, que “não acontece nada de novo”. Pois é exatamente o contrário: na capital acreana tudo muda de forma tão meteórica, com tanta profundidade, que às vezes nem nos damos conta. Até a criminalidade se transformou por aqui nestes últimos anos. E neste caso, para muito pior. O menino delinquente que andava de canivete na cintura cresceu e hoje tem um fuzil pendurado no pescoço como se uma medalha o fosse. 

A sociedade rio-branquense é uma sociedade em formação. Cheia de sotaques diferentes. Gente de todos os cantos desse Brasil vem chegando por aqui como quem nada quer, trazendo consigo conceitos, hábitos e culturas que ajudam a moldar a tão aprazível e aconchegante capital acreana. 

A simplicidade de tomar um tacacá na esquina de casa ou uma bola de sorvete na Pinguim não é valorizada, até que se a tenha perdido. Alguns conhecidos meus que partiram daqui em busca de novos sonhos relatam que sentem enorme falta do tacacá no fim de tarde ou de um simples passeio despretensioso pelas ruas da cidade. Onde é possível encontrar conhecidos interessantes e desconhecidos agradáveis para rápidos bate-papos. Por aqui parece que todo mundo é meio íntimo. E é nessa simplicidade ensolarada, em meio a uma gente receptiva e agradável, que a mutável e fugaz Rio Branco vai encantando os que aqui nasceram e os que a escolheram para viver, sonhar e ser feliz. Um brinde à cidade das oportunidades e dos sonhos. Quem não conhece Rio Branco precisa urgentemente fazê-lo e quem não a visita há mais de cinco anos, precisa “reconhecê-la”.

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