Receita Federal mira esquema de R$ 1 bi no setor de dendê no Pará

A Receita Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Termidor para combater uma organização criminosa investigada por infiltração na cadeia produtiva do dendê no Pará.

A investigação apontou que grupos empresariais movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026, com recursos de origem lícita e ilícita, segundo a Receita.

A ação, realizada em parceria com a Polícia Federal no Pará, abrange crimes de furto, receptação, comercialização ilegal do dendê, lavagem de capitais e ocultação de bens, direitos e valores.

Foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão no Pará e em São Paulo. A Justiça bloqueou cerca de R$ 153 milhões em bens e valores e suspendeu, por tempo indeterminado, as atividades de 11 empresas.

A operação se concentra na chamada “guerra do dendê”, identificada principalmente nos municípios paraenses de Concórdia do Pará, Tomé‑Açu, Acará, Moju e Tailândia, onde se constatou incompatibilidade entre a capacidade econômico‑financeira declarada e a movimentação efetiva dos investigados.

Foram detectados pagamentos recorrentes a fornecedores ou beneficiários sem relação aparente com o setor, além da comercialização de mercadorias sem registro de entrada nos estoques, e a criação de empresas em nome de interpostas pessoas com patrimônio mantido por terceiros, indícios que sugerem lavagem de capitais.

Os levantamentos fiscais, patrimoniais e financeiros confirmaram a movimentação de cerca de R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, sem documentação contábil suficiente para justificar a origem e a destinação dos recursos. A análise de documentos e equipamentos apreendidos será ampliada com informações fiscais e bancárias, com a participação de 13 auditores‑fiscais e analistas‑tributários.

A decisão judicial que autorizou a operação foi expedida pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará, e a investigação também inclui suspeitas de associação com agentes públicos da área de segurança do Estado para a prática dos crimes apurados.

Fonte: Poder Economia

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