Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições, o governo terá de encontrar recursos para cumprir as promessas feitas durante a campanha, que incluem desonerações, subsídios, perdão de dívidas e benefícios tributários.
O desafio será acomodar as medidas no orçamento sem ampliar a carga tributária, em meio à pressão por cortes de gastos e à implementação da reforma tributária, prevista para começar em janeiro de 2027.
“Quem vai pagar a conta de tudo que foi prometido nas últimas três semanas?”, questiona a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, no programa Não vou passar raiva sozinha (assista à íntegra acima).
Depois do primeiro turno, diz ela, a campanha eleitoral virou uma disputa para ver quem oferecia mais coisas para o eleitor.
“Teve imposto zerado, subsídio para combustível, perdão de dívida, promessa de ressuscitar benefício tributário e até de mudar uma reforma que está em andamento. Tudo isso em menos de três semanas.”
Agora vem a ressaca, destaca a colunista. “Prometer custa muito pouco, mas cumprir vai custar dinheiro. E existe uma possibilidade bastante desagradável dela terminar no seu bolso.”
Passada a eleição, o governo terá de encontrar espaço no orçamento para cumprir as promessas.
Desde 2023, a gestão adotou mais de 30 medidas para aumentar a arrecadação, incluindo mudanças na tributação de offshores e fundos exclusivos, reoneração da folha e aumento do IOF.
O desafio agora é conciliar os novos compromissos com as contas públicas e definir se o ajuste fiscal também envolverá cortes de despesas ou se a arrecadação continuará sendo a principal estratégia.
Enquanto isso, a implementação da reforma tributária segue o calendário previsto para 2027, mas ainda há definições pendentes. As empresas precisam conhecer a alíquota da CBS, que substituirá PIS e Cofins, enquanto o atraso na regulamentação do Imposto Seletivo pode provocar uma perda de quase R$ 4 bilhões no orçamento de 2027.
Entre as alternativas em discussão estão uma proposta de emenda à Constituição para manter o IPI sobre determinados produtos e a possibilidade de alterar prazos da transição.
Nesse cenário, a questão é como o governo financiará as promessas eleitorais sem aumentar ainda mais a carga tributária, em um momento em que as regras da reforma também exigem decisões do Executivo e do Congresso.
Todas as quintas-feiras, às 9h30, a Duquesa de Tax faz reacts (comentários sobre outros vídeos ou entrevistas) do noticiário econômico no Estadão.
Além disso, tem o programa semanal Não vou passar raiva sozinha.
Os vídeos inéditos vão ao ar sempre às segundas-feiras, às 9h30, para assinantes do Estadão.
Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais.
A atração também tem uma versão em podcast.
Fonte: Estadão Economia
