Gustavo Munis Santana morreu após ser atingido por 27 tiros disparados por agentes da Polícia Militar. Entre os amigos era conhecido como “cocada” e familiares o descrevem como pessoa gentil e de “coração puro”.
Com 20 anos, o jovem foi morto na madrugada de sábado, 10, durante uma abordagem policial no bairro Planalto Paulista, na região de Moema, zona sul de São Paulo. A Polícia Militar foi acionada porque Gustavo supostamente ameaçava tirar a própria vida.
Os quatro policiais envolvidos foram afastados e serão alvos de um Inquérito Policial Militar (IPM), informou a Secretaria da Segurança Pública do Estado. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil.
Nas redes sociais, parentes, amigos e conhecidos lamentaram a morte, criticaram a atuação da Polícia Militar e pediram justiça.
Amigos de infância lembram Gustavo como alguém alegre, presente e brincalhão. Em carta, Davi Soler, que manteve cinco anos de amizade com o jovem, escreveu: “Não sei como será minha vida a partir de hoje, nos próximos 2 anos, até meu último suspiro, mas sei que, a partir de hoje, você será eterno no meu coração e no de todos que te conheciam (sic)”.
Outro amigo, Felipe Souza, que também o chamava de “cocada”, destacou que o rapaz era aprendiz e estava satisfeito com o trabalho que havia conquistado, concluindo: “Só mais um jovem negro que perdeu sua vida cedo demais”.
Gustavo morava com a mãe e as irmãs, não possuía antecedentes criminais e, segundo o boletim de ocorrência, realizava tratamento com antidepressivos desde o ano passado.
Perto do corpo, a polícia encontrou um celular preto, que pode ter sido confundido com arma e motivado os disparos. Em entrevista ao SBT, sob anonimato, a irmã do jovem negou que ele estivesse armado, afirmando: “Eles estão tentando tachar meu irmão como se ele estivesse tentando roubar; como se ele estivesse tentando fazer alguma coisa errada ou como se o meu irmão estivesse armado. E nada disso é verdade”.
A Secretaria da Segurança Pública informou que as polícias Civil e Militar investigam as circunstâncias da morte. O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota, a pasta declarou que a conduta dos agentes será apurada por meio de IPM e que eventuais irregularidades serão punidas com rigor.
Conforme relato do boletim de ocorrência, a polícia foi acionada por volta de 2h30 da madrugada de sábado, 10, para atender a uma ocorrência na Avenida Moreira Guimarães, número 1.285, onde há uma passarela. A denúncia indicava que Gustavo Munis estaria “transtornado” e ameaçando disparar contra si.
A versão da Polícia Civil descreve que o rapaz apresentava “postura ameaçadora” e mantinha a mão na cintura. Após a chegada da PM, Gustavo correu, atravessou a passarela e se abrigou em um imóvel na Alameda dos Guaramomis. Quando saiu de uma área escura do imóvel, avançou em direção aos policiais com os braços estendidos, apontando para um objeto escuro. Na sequência, os quatro PMs dispararam, totalizando 45 tiros, dos quais 40 foram de pistolas calibre .40 da corporação. As armas foram apreendidas. As câmeras corporais registraram a dinâmica, e a perícia constatou que o objeto apontado era o celular preto, que também foi apreendido.
Fonte: Terra Brasil
