Quem é Sérgio Nahas, empresário preso 23 anos após assassinato da mulher

O empresário Sérgio Nahas foi preso neste fim de semana na Bahia após ser identificado por sistema de reconhecimento facial. Condenado por matar a esposa em 2002, a sentença só foi ratificada no ano passado pelo STF. Desde maio de 2025, ele estava foragido.

Por que demorou tanto tempo para Sérgio Nahas ser preso?

A defesa de Nahas arrastou o caso por 16 anos com inúmeros recursos, a maior parte considerada protelatória. O primeiro júri foi marcado para 2017, mas foi adiado. A primeira condenação só ocorreu em 2018 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Na época, foi decidido que ele ficaria sete anos detido em regime semiaberto. Sergio Nahas ficou preso por apenas 37 dias, por porte ilegal de armas.

A pena foi aumentada em 2021. Na época, a acusação argumentou que o assassinato aconteceu em um dos cômodos da residência do casal, local em que a vítima se sentia segura. Como resultado, a pena aumentou para reclusão de oito anos e dois meses em regime fechado.

A defesa levou o processo ao STF, que confirmou, em 2025, a condenação anterior. Em maio do ano passado, a Corte manteve a pena aplicada ao empresário. Os ministros seguiram o voto do relator do caso, o ministro Dias Toffoli.

Nahas estava foragido. Depois do julgamento do STF, o processo foi considerado transitado em julgado.

Defesa diz que há recursos nas Cortes Superioras que, devido ao recesso, tiveram andamento comprometido. Em nota, a advogada de defesa de Nahas, Adriana Machado e Abreu, informa que seu cliente mora na Bahia há anos, antes mesmo do mandado de prisão ser emitido, e que ele não tinha interesse em descumprir as determinações da Justiça por ser “uma pessoa idosa e com graves problemas de saúde”.

Como foi o crime

Fernanda Orfali estava casada com Nahas havia seis meses, quando foi morta. O motivo do ataque teria relação com a descoberta da esposa de casos extraconjugais e uso de drogas pelo marido. O crime ocorreu no apartamento onde o casal morava em Higienópolis, bairro nobre da cidade de São Paulo.

Antes de morrer, Fernanda ligou para o irmão. Cerca de 30 minutos antes de ser baleada por Nahas, ela pediu Júlio, seu irmão, para buscá-la. O irmão percebeu que a situação era grave e foi socorrê-la, mas, quando chegou, a estilista já estava morta. No processo, a defesa de Nahas alegou que a mulher tinha depressão e se matou.

À polícia, Nahas disse que ela se trancou no closet e se suicidou. O empresário afirmou que arrombou a porta para tentar salvá-la, mas era tarde. A investigação, no entanto, achou vestígios de pólvora na roupa dele. A defesa alegou que a pólvora estava presente, pois ele abraçou a mulher. Ele foi preso à época por porte ilegal de arma, mas foi solto em seguida.

Antes do crime, Nahas tinha desparecido e foi confrontado pela mulher ao chegar em casa. Segundo relato da família, o marido tinha ficado nervoso após Fernanda ter ido a um salão de cabeleireiro com a amiga solteira. Ao voltar para casa, ela o confrontou dizendo que sabia dos casos extraconjugais —ela mexeu no celular dele e ligou para números repetidos; um deles era de uma mulher trans, Katryna. Em depoimento, ela informou que Nahas participava de orgias de sexo com cocaína.

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