O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, em 2024, conforme documentos de auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB) sobre a operação com a instituição financeira, que foram obtidos pela Polícia Federal (PF).
Os registros também apontam pagamentos de R$ 40 milhões, no mesmo ano, ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota enviada ao Estado, a assessoria de Dalide declarou que ela “jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”. Segundo a mesma fonte, sua atuação limitou‑se a processos judiciais iniciados em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram assumidos pelo banco em fases posteriores, sempre em primeira e segunda instâncias.
Dalide tem 67 anos, nasceu em Cansanção, interior da Bahia, é graduada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e possui pós‑graduação em Direito Tributário, Constitucional e Processual Civil pelo Instituto Brasileiro de Direito Processual.
Entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal. Depois, trabalhou como assessora jurídica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foi procuradora‑geral na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e chefe de assessoria parlamentar no STF.
Em 2010, Dalide fundou o escritório Alves Corrêa & Verssimo Advocacia, em Brasília, onde atua como advogada‑sócia administradora. No mesmo ano, assumiu a direção‑geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), cargo que ocupou por sete anos. O IDP foi criado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Os dois se conheceram quando Mendes era advogado‑geral da União, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e ela trabalhava na Caixa. O relacionamento acabou em 2017, após divergências sobre a gestão do IDP.
A assessoria de Gilmar Mendes não se manifestou sobre o caso. Em entrevista, o ministro afirmou que se afastou de Dalide após a saída dela do IDP e que não mantém relação de proximidade com a advogada.
Em 2022, Dalide figurou na lista de suplentes de Jô Campos, candidato do Republicanos ao Senado em Goiás, mas não foi eleita. Na ocasião, declarou possuir R$ 88,5 milhões em bens, entre imóveis, terrenos, joias e outros itens.
Segundo a PF, Angelo Ribeiro ordenou ao superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Flix, o pagamento ao escritório de Dalide, alegando tratar‑se de um “canal direto com o STF”, sem esclarecer o sentido da expressão.
A PF não produziu avaliação sobre a legalidade da prestação de serviços. Nos diálogos, não há menção a Gilmar Mendes nem a qualquer outro ministro do STF, que também não foram alvos de diligências ou investigações na Operação Compliance Zero. Os contratos de Vorcaro com escritórios ligados a ministros do STF geraram crise nos bastidores da Corte, após a divulgação de detalhes do relatório da PF que mostraram menções a Viviane Barci de Moraes em conversas do banqueiro.
Fonte: Terra Brasil
