Um estudo inédito da Universidade Federal do Acre (Ufac) aponta alerta vermelho para a saúde pública de Rio Branco. Ao cruzar dados ambientais e de internações entre 2021 e 2024, pesquisadores verificaram relação direta entre o aumento das queimadas e o crescimento das internações por crises respiratórias na rede pública.
A pesquisa, coordenada pelo professor Anderson Mesquita, foi apresentada no Simpósio Nacional de Geografia da Saúde. O levantamento utilizou registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do DataSUS e da Secretaria Municipal de Saúde para avaliar o impacto da fumaça na população.
O principal vilão identificado é o material particulado PM2,5, partículas ultrafinas presentes na fumaça. Por serem microscópicas, essas partículas penetram nos pulmões e chegam à corrente sanguínea.
Nos meses de seca, com pico de queimadas, a concentração de PM2,5 na atmosfera de Rio Branco atinge níveis críticos, elevando a demanda por atendimentos na rede pública.
Principais impactos identificados no estudo:
Evolução de casos: aumento de diagnósticos de asma, bronquite e pneumonia. – Sobrecarga na saúde: pressão sobre leitos e atendimentos de urgência da rede pública. – Grupos de risco: crianças, idosos, gestantes e cardiopatas são as vítimas mais imediatas da poluição.
O Ministério da Saúde reforça que a exposição contínua ao material particulado fino pode agravar doenças pré-existentes e gerar complicações severas. Durante os períodos em que o ar estiver tomado pela fuligem, as recomendações oficiais incluem:
Evitar exercícios ao ar livre: a atividade física aumenta a frequência respiratória, levando a maior inalação de poluentes. – Proteger os mais vulneráveis: manter crianças, idosos e gestantes em ambientes fechados e bem ventilados sempre que possível. – Hidratação constante: aumentar o consumo de água para ajudar as mucosas a lidarem com o ar seco e poluído.
Para os pesquisadores da Ufac, os dados apresentados devem servir de base para a criação de políticas públicas integradas de prevenção, mitigação de queimadas e fortalecimento do sistema de saúde de Rio Branco.
