Professora agredida pelo ex-marido morre após dez dias internada

Uma professora de 51 anos morreu na noite da quinta‑feira, 29 de outubro, após dez dias internada no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, zona central do Recife. Ela havia sido encontrada desacordada pelos filhos, com múltiplos ferimentos, dentro da própria casa, em 19 de outubro.

O crime ocorreu na comunidade de Porta Larga, na divisa entre Jaboatão dos Guararapes e o Recife. O ex‑companheiro da vítima, Elias Batista da Silva, 44 anos, foi preso em flagrante e autuado por tentativa de feminicídio.

A prisão foi convertida em preventiva em 21 de outubro, e o suspeito foi encaminhado ao Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana.

A identidade da professora será preservada a pedido da família. O prontuário do Hospital da Restauração registra o óbito às 18h45 da mesma quinta‑feira, com a causa descrita como “homicídio decorrente de agressões físicas e sexuais”.

A vítima deu entrada na unidade às 17h42 de 19 de outubro. Entre as lesões constatadas estavam hematomas e escoriações no rosto e nos membros, ferimentos na cabeça e hemorragia no cerebelo. Segundo o filho, ela desenvolveu insuficiência respiratória, foi entubada em 22 de outubro e, posteriormente, sofreu parada cardíaca, não respondendo às tentativas de reanimação.

O advogado da vítima, Erasmo Pereira, informou que o caso foi inicialmente tratado como lesão corporal e depois como tentativa de feminicídio. Com a morte, a investigação passa a abranger feminicídio consumado.

A família relatou que a professora deixou de responder às mensagens em 15 de outubro. Quatro dias depois, a escola onde trabalhava entrou em contato com uma das filhas para avisar a ausência. Os filhos arrombaram a porta, encontraram a mãe caída no chão, desacordada, com manchas de sangue e o box do banheiro quebrado. Segundo eles, o relacionamento com o suspeito começou em 2023, com períodos de separação e reconciliação. Os dois estavam separados no momento do crime. O filho também mencionou episódios anteriores de violência, inclusive a irmã que saiu de casa após presenciar a mãe sendo submetida a um golpe conhecido como Segundo o relato, mata-leão..

Mulheres em situação de violência podem procurar a Central de Atendimento à Mulher pelo 180, serviço 24 h, ou acionar a Polícia Militar pelo 190 em caso de agressão em curso. No Recife, o Centro de Referência Clarice Lispector oferece atendimento 24 h na Rua Doutor Silva Ferreira, 122, em Santo Amaro, e o município mantém plantão de acolhimento pelo WhatsApp (81) 99488‑6138.

Fonte: Terra Brasil

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