Por que essa pode ser a eleição mais difícil para Lula desde 2002

Em meio ao que pode ser a eleição mais disputada da história desde a redemocratização, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializa sua candidatura à reeleição neste domingo (2/8) na convenção do PT em São Paulo.

A convenção partidária, exigida pelo Código Eleitoral, marca o início oficial da campanha, que volta a girar em torno de Lula e do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro.

Pesquisas indicam que, apesar das turbulências que cercam Flávio Bolsonaro – dificuldades para formar alianças, conflitos internos e associação ao escândalo do Banco Master – o petista ainda não alcança um patamar confortável de intenção de voto.

A dois meses do primeiro turno, os levantamentos apontam que a disputa pode ser ainda mais acirrada que a de 2022, quando a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro foi de 1,8 ponto percentual. Hoje, a margem entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno é a menor desde 2002, segundo simulações do agregador Polling Data para a BBC News Brasil.

Na última sondagem, Lula registra 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 42%. Além da estreita diferença, os percentuais gerais estão mais baixos que em eleições anteriores, quando o petista costumava ficar entre 49% e 50% e seus rivais entre 38% e 39%.

Neale El‑Dash, fundador do Polling Data, afirma que “parece a disputa mais apertada da história”. Ele destaca que, embora a vantagem de Lula seja de apenas quatro pontos, a aprovação do presidente em exercício ainda pesa decisivamente nas chances de vitória.

A aprovação de Lula tem se mantido em torno de 47% – ligeiro aumento em relação a 45% no início de fevereiro – enquanto, em 2022, a aprovação de Jair Bolsonaro subiu de 38% para 45% após a adoção de medidas de auxílio social.

A campanha oficial do PT deve ser protocolar, mas já está programado um comício em 16 de agosto em São Bernardo do Campo, no estádio Primeiro de Maio, local simbólico das greves do ABC que impulsionaram a ascensão de Lula nos anos de 1979‑80.

Segundo Luciana Chong, diretora do Datafolha, 45% das mulheres entrevistadas não citam nenhum candidato, número superior ao registrado em 2022. Esse indeferimento feminino, que hoje representa a maioria dos eleitores, pode ser decisivo para definir o resultado final.

Fonte: Terra Brasil

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