A Polícia Civil de Taquarana, no Agreste de Alagoas, recebeu nesta sexta‑feira (10) a entrega espontânea de Victor Bruno da Silva, 19 anos, investigado por estuprar, espancar e tentar matar Maria Daniela Ferreira, 18 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2024, no município de Coité do Noia, e a prisão aconteceu cerca de um ano e sete meses depois.
Segundo as investigações, Maria Daniela participou de uma confraternização escolar e, ao término do evento, foi conduzida pelo suspeito até uma chácara da família dele, localizada no povoado Poção, zona rural da cidade. Poucas horas depois, o próprio investigado a deixou em uma unidade de saúde apresentando traumatismo craniano grave, desorientação e manchas de sangue nas roupas e na região genital.
Em razão da gravidade, a vítima foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu em coma por cinco dias. Ao todo, ficou internada por 19 dias.
Em depoimento, Maria Daniela relatou que a última lembrança antes de perder a consciência foi recusar manter relações sexuais com o acusado.
Exames periciais identificaram, no organismo da vítima, diversas substâncias psicoativas, entre elas diazepam, haloperidol, fenitoína, nordiazepam e prometazina. O Ministério Público de Alagoas (MPAL) destacou que uma dessas substâncias costuma estar associada a crimes sexuais.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que houve violência sexual mediante uso de força física e apontou comprometimentos cognitivos que a vítima não apresentava antes do crime.
Relatórios da Secretaria Municipal de Saúde de Craíbas apontam sequelas neurológicas, dificuldades motoras e cognitivas, além de transtorno de estresse pós‑traumático, ansiedade, síndrome do pânico e depressão. Familiares informam que a jovem necessita de auxílio para realizar atividades básicas do cotidiano.
Em nota, a defesa de Victor Bruno informou que o investigado se apresentou voluntariamente por meio de seus advogados e exercerá o direito de apresentar sua versão dos fatos durante o processo judicial. Os advogados também manifestaram solidariedade à vítima e aos familiares, mas criticaram a divulgação de informações que, segundo eles, não estariam amparadas pelas provas dos autos.
A defesa ressaltou que todos os esclarecimentos serão apresentados exclusivamente no decorrer da ação penal e reforçou que o caso deve ser analisado com base nas provas produzidas perante a Justiça.
Fonte: Terra Brasil
