A Polícia Civil de Cruzeiro do Sul descartou nesta terça-feira (4) a hipótese de sequestro da adolescente Kemily Michele Ferreira Araújo, de 15 anos, fato que mobilizou familiares, moradores e equipes policiais a partir da manhã de segunda-feira (3).
A jovem foi localizada no bairro João Alves e, na ocasião, relatou ter sido obrigada a entrar em um veículo por um homem encapuzado, que a teria levado a um local desconhecido, oferecido uma bebida e, após ingerir, provocado perda de consciência. Segundo seu relato, ela conseguiu fugir horas depois, entrando em contato com a família.
Diante da gravidade do depoimento, a Polícia Civil iniciou diligências para identificar o suposto suspeito, solicitando imagens de câmeras de segurança, ouvindo testemunhas e tentando reconstruir os passos da adolescente durante o período em que esteve desaparecida.
Entretanto, informações encaminhadas à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Proteção à Criança e ao Adolescente (DEMPCA) alteraram drasticamente a direção das investigações.
A mãe de um adolescente de 15 anos procurou a delegacia e informou que Kemily chegou à sua residência ainda na manhã de segunda-feira, permanecendo no local ao lado do filho durante todo o dia e a noite.
Segundo o delegado Vinícius, novas oitivas realizadas com a adolescente, familiares e testemunhas confirmaram que a jovem não foi vítima de sequestro e que passou o período considerado desaparecido na casa do namorado.
A Polícia Civil ressaltou que a denúncia foi tratada com seriedade desde o primeiro momento, pois envolvia possível crime contra menor, e que o papel da polícia é investigar sem presumir falsidade nas informações prestadas pelas famílias.
Apesar do desfecho, a autoridade informou que Kemily receberá acompanhamento psicológico e assistência social, tendo demonstrado forte abalo emocional e relatado problemas pessoais e familiares durante os depoimentos.
Psicólogos e assistentes sociais da DEMPCA já iniciaram o planejamento de suporte à adolescente, visando compreender os fatores que motivaram a comunicação equivocada. O caso, que inicialmente gerou temor entre os moradores pela suspeita de um sequestrador, foi oficialmente esclarecido pela Polícia Civil, que não encontrou evidência da prática do crime relatado.
