A reação do governo Lula à decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas entrou numa fase delicada: o Planalto endureceu o discurso político, mas ainda evita uma resposta institucional definitiva pelas áreas técnicas e diplomáticas.
Segundo a CNN Brasil, Lula passou a associar diretamente a atuação do senador Flávio Bolsonaro à decisão do governo de Donald Trump e elevou o tom das críticas contra a oposição. Em agenda pública, chamou o senador de “traidor” e afirmou que ele teria ido aos Estados Unidos pedir interferência em assuntos brasileiros.
Apesar disso, ministérios centrais no tema, como o Ministério da Justiça e o Itamaraty, ainda não apresentaram uma reação formal mais ampla e seguem discutindo qual estratégia adotar diante da medida americana. A preocupação do governo é equilibrar dois pontos: defender a soberania brasileira sem transmitir a imagem de tolerância com facções criminosas.
Nos bastidores, auxiliares de Lula defendem que Brasil e Estados Unidos já possuem mecanismos de cooperação suficientes para combater organizações criminosas transnacionais, como troca de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e rastreamento de recursos ilícitos, sem a necessidade de enquadrar as facções como grupos terroristas.
A decisão americana também abriu uma frente política interna. Integrantes do PT passaram a sustentar que a medida tem sido explorada eleitoralmente pela oposição, enquanto analistas avaliam que a segurança pública tende a se tornar um dos temas centrais da disputa presidencial de 2026.
