A Polícia Federal identificou novos diretores do Banco Regional de Brasília (BRB) supostamente ligados a irregularidades na compra de carteiras fraudulentas do Banco Master.
Em razão disso, a PF solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a prorrogação de 60 dias para concluir o inquérito que deve culminar no primeiro indiciamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por crimes financeiros.
A corporação explicou que ainda precisa colher depoimentos dos integrantes da Diretoria Colegiada do BRB que aprovaram as operações com o Master, o que justifica a necessidade de mais tempo. O pedido não nomeou os diretores suspeitos.
Até o momento, apenas o ex‑presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi preso na Operação Compliance Zero.
Essas novas informações derivam de um laudo pericial elaborado pela PF, que apontou elementos ligados ao processo decisório interno, possíveis descumprimentos de normativos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco e aprovação de operações em desacordo com os procedimentos de controle, além da participação individualizada de membros da Diretoria Colegiada.
O relatório parcial foi encaminhado nesta quinta‑feira (20) ao inquérito que tramita no STF, e os laudos periciais também foram enviados ao gabinete do ministro André Mendonça. As conclusões revelaram fatos inéditos, permitindo a individualização de agentes que ainda não constavam formalmente entre os investigados, o que torna imprescindível a inclusão dos diretores da DICOL no polo passivo e a realização de suas oitivas.
Um segundo laudo pericial identificou falhas na governança do Banco Master durante a cessão de carteiras falsas da empresa Tirreno para o BRB, apontando incompatibilidade entre a estrutura da Tirreno e o volume bilionário das operações, ausência de evidências de liquidação financeira efetiva, inconsistências documentais relevantes e a existência de mecanismos internos que poderiam ter detectado as irregularidades.
A PF ainda aguarda documentos do Banco Central que comprovem o prejuízo efetivo das operações ao BRB. Diante dos laudos apresentados, da pendência de informações do Banco Central, da necessidade de novas oitivas e das diligências ainda em curso, a Polícia Federal requer a extensão do prazo por mais 60 dias.
Fonte: Estadão Política
