A Polícia Federal acionou a Interpol neste sábado (18) para rastrear bens e ativos de Daniel Vorcaro na América do Norte e na Europa, ampliando a investigação da Operação Compliance Zero.
Os investigadores explicaram que o pedido foi feito por meio do “Silver Notice” (Alerta Prata, em tradução literal do inglês), ferramenta recente da Interpol destinada ao rastreamento internacional de patrimônios ligados a pessoas investigadas por crimes financeiros.
A PF suspeita que o patrimônio de Vorcaro, estimado em bilhões de reais, tenha sido pulverizado em propriedades, fundos de investimento e empresas em diversos países, inclusive em paraísos fiscais, com o objetivo de blindar recursos.
O colapso do conglomerado liderado por Vorcaro, que inclui ao menos três instituições financeiras, gerou um rombo de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A notificação à Interpol solicita que autoridades dos países-alvo informem a existência de imóveis, empresas, contas bancárias, embarcações, aeronaves ou outros ativos registrados em nome do investigado ou vinculados a ele, para subsidiar eventuais bloqueios, confisco e repatriação.
Até o momento, os países ainda não responderam sobre os bens identificados. A PF teme que Vorcaro esteja vendendo ou transferindo propriedades para terceiros, dificultando a localização dos ativos.
A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu às perguntas da imprensa. O empresário permanece preso em penitenciária de Brasília, após ter sido detido novamente em março de 2026.
Investigações já apontaram ativos no exterior, como uma mansão avaliada em R$ 180 milhões na Flórida, identificada por liquidante do banco. Ainda não há um Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) completo dos bens mantidos fora do Brasil.
Em abril, a justiça dos Estados Unidos autorizou consultas a instituições financeiras norte-americanas, ampliando a busca por imóveis, fundos de investimento e obras de arte vinculados ao empresário.
O caso teve início em 18 de novembro de 2025, quando a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão de Vorcaro e na liquidação do Banco Master e de duas outras instituições, com perdas de R$ 52 bilhões.
As investigações também apontam a tentativa de venda de ativos do Master ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e suspeitas de captação irregular de recursos de Regimes Próprios de Previdência Social, supostamente sob pressão política.
A falta de colaboração de Vorcaro na localização de seu patrimônio impediu o avanço de um acordo de delação premiada entre a PF e a Procuradoria-Geral da República.
Fonte: Terra Brasil
