A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, comunicou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva após sua adesão à Fraternidade São Pio X.
Em nota oficial, o bispo diocesano Dom Arnaldo Carvalheiro Neto explicou que o Vaticano determinou que padres e fiéis que se vincularem formalmente à fraternidade passam a ser considerados em situação de cisma, o que implica a excomunhão.
Segundo o bispo, “o Rev.º Pe. Rodrigo de Oliveira Silva, por sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, encontra‑se em situação de cisma e de excomunhão. Assim, os atos de seu ministério são ilícitos. No que tange aos sacramentos da Penitência e do Matrimônio, tanto a absolvição concedida quanto os casamentos celebrados por ele carecem de validade e são nulos”.
Rodrigo de Oliveira Silva havia solicitado afastamento da diocese em fevereiro. Ele nasceu em Cajamar, interior de São Paulo, estudou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro e concluiu a formação em Filosofia e Teologia em 2009.
Foi ordenado diácono em 2010 e, um ano depois, sacerdote. Até a excomunhão, exercia a pátrio‑cultura da Paróquia Santo Antônio.
A reportagem não conseguiu contato com o padre para obter comentários.
No mês passado, o Vaticano excomungou bispos, sacerdotes e leigos que aderiram formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), marcando o primeiro cisma da Igreja em 38 anos, semelhante ao ocorrido com o grupo fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre.
Roma estabeleceu regras para quem deseja deixar a excomunhão e retornar à unidade, exigindo a rejeição de alguns fundamentos ultratradicionalistas da FSSPX, como a aceitação do Concílio Vaticano II e a submissão ao papa.
A FSSPX, criada em 1970 por Marcel Lefebvre, conta com dois bispos, 733 sacerdotes, 264 seminaristas, 145 irmãos religiosos, 88 oblatos e 250 religiosas, representando 50 nacionalidades, e mantém a celebração da missa tridentina em latim.
Em seu site em português, a fraternidade afirma defender-se de acusações de cisma, sustentando que uma consagração episcopal não autorizada pela Santa Sé, sem intenção cismática, não rompe a comunhão, e justifica a necessidade pastoral das ordenações devido à idade avançada de seus bispos e à demanda de seus fiéis.
Fonte: Estadão Brasil
