Falsa candidatura de Pablo Marçal foi feita para beneficiar Flávio

A falsa candidatura de Pablo Marçal foi criada de modo a beneficiar Flávio Bolsonaro, limitando o espaço e o crescimento de outros nomes da direita enquanto não é derrubada pela Justiça Eleitoral.

Mesmo que a anulação da candidatura seja praticamente certa, o intervalo até que a decisão seja efetivada pode, paradoxalmente, favorecer o presidente Lula ao reduzir a quantidade de votos válidos lançados nas urnas.

A candidatura é considerada irregular porque a inelegibilidade de Marçal até 2032 é cristalina, não havendo perspectiva de revisão. Assim, ele só conseguiu registrar a candidatura por meio de uma liminar que reconheceu retroativamente sua filiação ao PRTB antes de quatro de abril, mas essa medida não afeta a inelegibilidade e permanece vulnerável.

A liminar que garantiu a filiação retroativa não elimina o obstáculo jurídico, já que a hipótese de Marçal concorrer sem que o TSE altere a jurisprudência é extremamente remota. Além disso, a prova de que ele teria assinado a ficha de filiação antes do prazo limite é difícil de ser confirmada.

Em entrevista ao Estadão, publicada em 12 de abril, Marçal destacou as supostas vantagens de estar filiado ao União Brasil, partido maior e com mais estrutura. A gravação, feita em oito de abril, ocorreu quatro dias após o encerramento do prazo de filiação ao partido que pretendia representar, o que enfraquece a alegação de filiação ao PRTB e foi utilizada pelo Ministério Público Eleitoral para solicitar ao TSE a proibição da candidatura e de qualquer campanha.

Marçal declarou publicamente que pretende ser “escudeiro” de Flávio Bolsonaro, assumindo o papel de escudo para o grupo do filho do ex‑presidente. Enquanto permanecer na disputa, ele atrasa a ascensão de outros candidatos de direita, como Renan Santos (Missão), ao ocupar espaço no noticiário e captar votos que, de outra forma, seriam destinados a eles.

Essa estratégia de “escudo” tem o objetivo de desgastar a concorrência interna à direita, reduzindo a visibilidade e as pesquisas dos demais nomes, o que beneficia Flávio ao enfraquecer possíveis rivais. Ao mesmo tempo, Marçal também ataca Renan Santos e Lula, evitando que Flávio precise assumir uma postura agressiva.

O Tribunal Superior Eleitoral tem até 14 de setembro, 20 dias antes da votação, para decidir sobre a candidatura de Marçal. Caso o ex‑coach recorra e prolongue o processo, a candidatura pode permanecer em disputa até as vésperas das eleições, chegando a aparecer na urna.

Se isso ocorrer, os votos que Marçal captar serão subtraídos dos demais candidatos de direita. Ao serem anulados após a eventual anulação da candidatura, esses votos deixarão de contar, reduzindo o total de votos válidos. Essa diminuição poderia facilitar a vitória de Lula no primeiro turno, embora a probabilidade seja baixa, a possibilidade não pode ser descartada.

Fonte: Estadão Política

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