Operação mira empresas suspeitas de fraude bilionária de ICMS

A Operação Distrato, deflagrada nesta quarta-feira (15) pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP), cumpriu mandados de busca e apreensão contra empresas ligadas ao advogado Nelson Wilians, suspeitas de fraudar créditos de ICMS e gerar prejuízo superior a R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.

O escritório e a residência de Nelson Wilians foram revistados pela força-tarefa. Procurado, o advogado não respondeu à tentativa de contato do Estadão.

Nelson Wilians acumula mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram, onde publica reflexões sobre advocacia, empreendedorismo e momentos familiares. É casado com a advogada Anne Carolline Wilians, sócia do Nelson Wilians Advogados (NWADV) e fundadora do Instituto Nelson Wilians, que oferece programas de educação a jovens e mulheres em situação de vulnerabilidade. O casal tem quatro filhos: Ben, Adam, Athina e Helena.

Formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, nos anos 1990, fundou o NWADV em 1999, inicialmente focado em tributação. Duas décadas depois, o escritório atua em mais de 20 áreas e possui unidades em todas as capitais e nas principais cidades do interior, sendo considerado um dos maiores do país.

Em setembro do ano passado, Nelson Wilians foi alvo de desdobramento da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investigava descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na ocasião, a PF apreendeu obras de arte, dinheiro em espécie, relógios, armas e veículos de luxo, incluindo réplica da Mc Laren MP4/8 dirigida por Ayrton Senna em 1993.

Segundo os investigadores, as empresas de Wilians ofereciam créditos de ICMS com deságio, apresentados como planejamentos tributários supostamente autorizados pelo Fisco. Após aderir ao esquema, o contribuinte deixava de recolher integralmente o imposto e pagava honorários de até 70% do valor dos créditos utilizados, configurando “bolsões de crédito” que eram inseridos nas escriturações fiscais.

A advogada Mayra Fahur de Paula, do escritório De Paula Advogados e Consultoria Jurídica, foi apontada como sócia de Wilians no esquema e exercia papel de liderança. Ela foi alvo de busca e apreensão nesta quarta-feira (15) em Londrina. O Estadão tenta contato com Mayra e seu escritório.

A ofensiva fiscal identificou 874 Ordens de Serviço Fiscal, quase 10 mil lançamentos suspeitos, mais de 850 empresas envolvidas e 746 autos de infração, que cobram mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.

Até o momento, Nelson Wilians permanece foragido e não há informações sobre eventual prisão ou medida cautelar.

Fonte: Terra Brasil

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