O uso exponencial de drogas no período de quarentena e seus significados psicológicos

Com relação à temática drogadição e de sua relação com o homem, temos uma longa trajetória que acompanha a humanidade. Passando por um uso ritualístico como era visto na Antiguidade, que tinha a finalidade de transcendência, até o que temos no mundo contemporâneo onde a busca é por prazer e de alívio imediato de desconforto físico, psíquico ou de pressão social. 

As drogas estão presentes em todas as classes sociais qualificando-se como um dos grandes problemas da atualidade, contrapondo-se aos valores políticos, econômicos e sociais. Além dos fatores acima citados, também contribuem negativamente com o crescimento dos gastos com tratamentos médicos e internações hospitalares, sendo em muitas ocasiões a motivação dos elevados índices de acidente de trânsito, de violência urbana e de mortes prematuras, acarretando enorme repercussão social e econômica para a sociedade contemporânea.

Ressalta-se ainda, que os índices mundiais do consumo de substâncias psicoativas estão em ascensão. Segundo dados do Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, temos cerca de 35 milhões de usuários, desta forma, se desperta uma grave preocupação em relação ao contexto social.

Sendo assim, o termo droga sendo ela psicotrópica ou psicoativa é definido como toda e qualquer substância capaz de modificar o funcionamento da atividade cerebral podendo gerar distintas alterações no comportamento, no humor, na cognição e na percepção. Trazendo para a realidade ao qual nos encontramos hoje, As medidas de isolamento que foram impostas e que também são necessárias para que não hajam maiores agravamentos em relação aos avanços do Covid-19, nos traz outras dificuldades que transcendem o físico e o social afetando diretamente a saúde emocional. A população de forma geral não estava preparada. Gerando portanto, diferentes transtornos de ansiedade e fobias.

Nota-se um maior uso de drogas, principalmente das licitas, como o álcool, por exemplo, devido a quarentena social que distanciou as pessoas de seus empregos, ciclos de amizades e familiares, deixando todos bastante ociosos. Estes afastamentos vêm sendo encarado como um sofrimento social, tendo em vista que a grande parte da população teve que mudar de forma abrupta toda sua forma de se pensar e agir.

Diante desta incógnita, podemos ao invés de usar algum tipo de droga como possível escotilha de fuga, usar esse momento de crise para refletirmos acerca de como podemos melhorar como pessoa, no contexto familiar, social e profissional. Ou seja, encontrar o ponto ou os pontos que eu possa melhorar em mim e modificá-los través de uma autoanálise. Imagine que você está em uma competição muito importante ou que está em busca de um grande objetivo de vida e esse isolamento social é a pausa para que você possa reavaliar suas atitudes para alcançar a vitória desejada.

Se houver uma autoanálise, quando tudo isso passar você estará preparado. Agora, caso você também fique estagnado durante essa pausa, quando retornar, ainda estará com as mesmas duvidas e possivelmente cometendo os mesmos erros ou até mesmo terá regredido.

É sabido que o momento é de muitas dúvidas e também de muitos conflitos em relação a todos os debates que circundam esta crise, mas é preciso bom senso e responsabilidade para transpor toda essa situação. Definitivamente não é um momento para burlar a situação, e sim de encontrarmos soluções. E não existe solução melhor do que o exemplo, e consequentemente a repetição influenciada por esses bons exemplos.

Ricardo Farias – psicólogo

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