O prejuízo intelectual das novas gerações influenciado pela informática

Na virada do século existia uma expectativa positiva sobre os tempos vindouros alicerçada nas novas tecnologias que prometiam a comunhão dos povos, compartilhamento de informações de forma instantânea, inclusão ao mundo do conhecimento, oportunidades com a economia globalizada.

O advento da informática estava saindo do domínio das grandes corporações para tornar-se uma ferramenta/aliada das comunidades e pessoas em seus desenvolvimentos. Era uma promessa interessante para as futuras gerações. Os trabalhos de aula passaram a ser produzidos em computadores domésticos e já havia alguma disponibilidade de documentos na internet para pesquisas (também foi o desabrochar do “copia e cola”); as redes sociais virtuais viraram febre entre jovens e eram vistas como inclusivas; sites pornográficos quebraram muitos tabus e ritos de masculinidades, crianças e adolescentes passaram a ter jogos e vídeos divertidos para entretenimento, o que alegrou muitos pais pelos “momentos de paz” estabelecidos.

Inaugurava-se uma nova socialização em que as referências tradicionais perdiam gradualmente sua força para as virtuais.

O psicanalista lacaniano Jorge Forbes esclareceu em algumas palestras que as gerações, a partir daquele momento, não funcionam com o tradicional Complexo de Édipo, o software que regia a socialização de forma vertical, com forte referência da figura paterna como “lei”. Antes, crianças e adolescentes enfrentavam frustrações, seguiam ideias/princípios rígidos, e possuíam referências sociais fixas e próximas (pai, mãe, professor, entre outros).

Forbes acha que os jovens se saíram bem nesse novo mundo, pois conseguiram se conectar com seus pares mesmo com tanta diversidade de formas de ser (com infinitas referências, muitas formas de ser). Acredita que não devem ser subestimados, porque conseguiram se sustentar fora do formato posto do passado.

Foto: internet

Porém o tempo mostrou que as escolhas dessas gerações foram se inclinando para o entretenimento não educativo e precário acúmulo de conhecimento. Cabe aqui lembrar de uma máxima sobre o funcionamento da mente humana: fuga da dor/sofrimento e busca de prazer/ bem-estar.

Esse mundo novo exigiu sobre essas novas gerações uma autonomia que não poderiam ter, e parecem ter caído na armadilha do comportamento condicionado, defendida pelo Behaviorismo. Segundo essa abordagem psicológica, os humanos tendem a repetir os comportamentos que julgam satisfatórios: alguém que está com dor de cabeça e toma um remédio para cessá-la, provavelmente voltará a tomar o remédio em uma mesma situação futura.

De forma análoga, o comportamento das novas gerações (e da nova sociedade, em certa medida) se condicionou a busca excessiva de entretenimentos variados e informações prontas: seriados fantasiosos, vídeos de humor e banalidades, jogos não educativos viciantes, informações de senso comum ou míticas que corroboram crenças e necessidades pessoais.

Foto: internet

Como efeito, o arcabouço teórico e o desenvolvimento cognitivo e emocional construído/ apreendido pelas novas gerações se tornou precário, dificultando o entendimento de si, do mundo ao redor e das disciplinas humanas essenciais. O problema ainda se amplia devido às infindáveis fontes de informação no mundo virtual; filtrar as mais coerentes se tornou impossível.

As implicações desse fenômeno social atual, como dito antes, é o declínio do nível intelectual das novas gerações por uma construção debilitada, fragmentada e inconsciente. A informática, diferente do que pensávamos, se tornou propulsora de uma sociedade emburrecida, mas ainda possui potencial para alavancar a nobre causa a que se propunha.  Cabe aos pais, a toda a sociedade e às novas gerações um enfrentamento contra os produtos e serviços que causam esse prejuízo intelectual, além dos demais psicológicos, de que falaremos no próximo artigo.

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