O passado de Alok em Londres: ‘Eu limpava o chão enquanto o DJ tocava’

Alok voltou a Londres nesta quarta-feira (15) para abrir a turnê “Rave the World” na O2 Academy, em Brixton, e lembrou a época em que chegou à capital britânica em 2010, ainda sem perspectivas de sucesso.

Na ocasião, ele e o irmão Bhaskar mudaram‑se para a cidade com o objetivo de viver da música eletrônica, após algumas faixas terem bom desempenho em plataformas de streaming. A realidade, porém, foi bem diferente.

O DJ acabou trabalhando como barback, limpando o chão do bar enquanto o DJ tocava e recolhendo bitucas de cigarro da rua. “Vir para cá me dá até alguns gatilhos, sabe? Naquele momento, eu limpava o chão enquanto o DJ tocava, recolhia as bitucas de cigarro da rua enquanto as pessoas ficavam na fila”, contou Alok em entrevista à BBC News Brasil antes de subir ao palco.

Ele ressaltou que muitos brasileiros chegam a Londres com um sonho e acabam ralando muito, mas que ele não conseguiu se firmar e acabou voltando ao Brasil. O caminho no mercado musical não foi novidade na família.

Os pais, Ekanta e Swarup, são reconhecidos como pioneiros do psytrance no Brasil. A mãe mudou‑se para Orlando, trabalhou como faxineira em uma boate, descobriu o psytrance e começou a tocar. “Meu pai foi visitar a gente e acabou curtindo também. Eles começaram a pegar discos de vinil, equipamento de som, levar para o Brasil e tocar para 30 pessoas. Era quase contracultura”, recordou Alok.

Nascido em Goiânia, Alok viveu uma infância nômade. Ele descreve ter morado em Amsterdã, em uma comunidade hippie, num prédio abandonado que antes fora hospital, e depois em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros. “Quando fui inserido na sociedade, em Brasília, tive um choque de realidade e comecei a questionar meus próprios valores”, disse o DJ, que hoje tem 34 anos.

Depois de quase dois anos tentando se firmar como DJ em Londres, Alok decidiu voltar ao Brasil. Pensou em retomar o curso de Relações Internacionais, mas foi desencorajado pelos pais.

Optou por abandonar o psytrance herdado da família e se especializar em house music, vertente mais melódica e dançante. O movimento deu certo: em 2016 lançou “Hear Me Now”, em parceria com Zeeba e Bruno Martini, que alcançou quase 1 bilhão de reproduções no Spotify e continua sendo a faixa brasileira mais tocada na plataforma, dez anos depois.

Apesar do sucesso, o artista enfrentou problemas emocionais. Em depressão, assistiu a um vídeo de povos indígenas cantando e decidiu visitar a aldeia dos Yawanawá, no Acre.

Lá recebeu a bênção de um pajé e um cocar, que guarda em casa como lembrança. “Eu fazia música profissional, ocupava o top dez das paradas, e eles faziam música para curar”, afirmou. A experiência originou o projeto “O Futuro É Ancestral”, um álbum com diferentes etnias e uma biblioteca de gravações indígenas para preservação cultural.

O contato com os indígenas também motivou a primeira atuação política de Alok. Ele participou de manifestações contra o marco temporal, que restringe a demarcação de terras indígenas, e firmou parcerias com a ONU em iniciativas ambientais.

O DJ afirma ser contra a ideia de que a pauta ambiental pertence a um único espectro político e, para reduzir seu impacto, deixou de usar jato particular e paga empresas que compensam sua pegada de carbono.

Na nova turnê “Rave the World”, Alok apresenta seu set dentro de um contêiner de LED com projeções de frases inspiracionais e dançarinos, resgatando sonoridades do início da carreira, inclusive do psytrance.

Conhecido pelos recursos tecnológicos, como canhões de laser em shows a céu aberto, ele reflete sobre o uso da tecnologia sem a qual, segundo ele, “não seria possível criar a experiência que queremos proporcionar ao público”.

Fonte: BBC News Brasil

Gostou deste artigo?

Facebook
Twitter
Linkedin
WhatsApp

© COPYRIGHT O ACRE AGORA.COM – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. SITE DESENVOLVIDO POR R&D – DESIGN GRÁFICO E WEB