Mercado de trabalho na América Latina está estagnado, diz relatório

Um relatório divulgado na segunda-feira (3) pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostrou pouca melhora nas condições de trabalho na América Latina e no Caribe nas últimas três décadas.

O estudo aponta que a região vive um cenário de “progresso sem transformação”, com avanços lentos e pontuais que não aproximam os países latino‑americanos do padrão das economias desenvolvidas.

Após um estímulo temporário puxado pelas commodities nos anos 2000, o mercado de trabalho regional estagnou a partir de meados da década de 2010, sendo a baixa produtividade o principal entrave.

Nos últimos 30 anos, o rendimento real dos trabalhadores latino‑americanos subiu apenas 18%, enquanto nos países ricos da OCDE o aumento foi de 30%.

Hoje, são necessários quatro trabalhadores na América Latina para gerar o mesmo valor econômico produzido por um único trabalhador nos Estados Unidos.

A migração da mão de obra do campo para as cidades não resolveu o problema, pois os trabalhadores foram absorvidos por serviços urbanos de baixa qualificação. Cerca de 46% da força de trabalho atua de forma autônoma ou em microempresas precárias, enquanto apenas 28% tem empregos formais com contrato estável e direitos garantidos.

No ritmo atual, o BID calcula que a região levará mais de 80 anos para alcançar o nível de formalidade do Uruguai, referência regional, e quase metade dos trabalhadores não tem acesso à aposentadoria, ao seguro‑desemprego ou ao auxílio‑doença.

Os indicadores de desemprego revelam forte subutilização da mão de obra de jovens e mulheres. Em períodos de crise, a informalidade funciona como válvula de escape, mas reduz a renda das famílias.

O cenário tende a piorar com o fim do dividendo demográfico, o envelhecimento da população, os impactos da inteligência artificial sobre empregos de média qualificação e as exigências de requalificação trazidas pela transição verde. Para romper a estagnação, o BID recomenda uma guinada rápida nas políticas públicas que desvincule a proteção social da carteira assinada, garantindo um piso de direitos universal. Reduza o custo da formalidade simplificando impostos e burocracia para microempresas. E invista em programas de capacitação alinhados às demandas da economia digital e sustentável.

Fonte: Poder Economia

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