A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi assassinada a tiros na noite desta segunda-feira (2) em um bar no município de Brasiléia, no interior do Acre. Testemunhas relataram que a vítima, que possuía medida protetiva contra um homem, chegou a acionar o “botão do pânico” momentos antes de ser executada, mas o socorro policial não chegou a tempo de evitar o crime.
O homicídio ocorreu por volta da meia-noite. Elyne confraternizava com amigos na calçada de um estabelecimento comercial localizado nas proximidades do 5º Batalhão da Polícia Militar do Alto Acre. De acordo com relatos colhidos no local, o homem de quem a médica sofria ameaças havia passado pela rua diversas vezes naquela noite.
Diante do risco iminente, Elyne acionou o dispositivo de segurança concedido pela Justiça. A central de monitoramento chegou a fazer contato telefônico com a vítima após o acionamento, mas nenhuma equipe policial foi enviada ao local antes dos disparos. As autoridades ainda não detalharam oficialmente os horários dos registros e os motivos da ausência de resposta tática da central.
Dinâmica do crime
A execução apresenta fortes indícios de premeditação. Uma das amigas que acompanhava a médica relatou à polícia que um homem em uma motocicleta vermelha parou na esquina do bar e, aparentemente, fotografou as pessoas que estavam na mesa.
Pouco tempo depois, um segundo indivíduo usando capacete se aproximou e abriu fogo. Elyne foi atingida por trás, com um dos tiros acertando a região da cabeça, e caiu da cadeira. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação, que ocorreu diante de várias testemunhas, incluindo uma criança. O atirador fugiu em seguida.
Antes de ser assassinada, Elyne confidenciou a pessoas próximas que estava sendo ameaçada de morte. Segundo o relato, o homem alvo da medida protetiva havia declarado que ela “não passaria daquele dia”. O histórico policial da médica já contava com dois boletins de ocorrência, registrados em 25 de agosto e 11 de setembro de 2026, por ameaça e descumprimento de medida protetiva.
Durante as buscas realizadas na madrugada, guarnições localizaram um suspeito com características semelhantes às do atirador no bairro Ferreira Silva, perto da Escola Socorro Frota. Ao perceber a aproximação da viatura, o homem abandonou uma motocicleta e fugiu a pé. Houve perseguição e troca de tiros com os agentes, mas o suspeito conseguiu escapar por uma área de mata.
O corpo de Elyne de Assis Nogueira foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia. A Polícia Civil conduz as investigações para identificar o executor, confirmar a participação do autor das ameaças anteriores e apurar os questionamentos em torno da falha no funcionamento do mecanismo de proteção do Estado.
